Atividade

100917 - Autores Brasileiros na França, Autores Franceses no Brasil: Tradução e Recepção

Período:
Segunda 14:30 às 16:00
Quarta 14:30 às 16:00
 
Descrição: Programação

7 de junho | 14:30-16:00

Recepção de autores brasileiros na França: o caso Rubem Fonseca
Ministrante: Maria Cláudia Rodrigues Alves (Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho")

Do projeto de uma tradução à presença efetiva do livro-objeto na prateleira de uma livraria ou biblioteca (ou ainda, hoje em dia, do e-book em nossos tablets), surgem documentos, atrelados ao texto em si ou que com ele dialogam, aos quais Gérard Genette denomina PARATEXTOS. Interessa-nos, a partir da recepção da obra do autor brasileiro Rubem Fonseca na França, elencar e analisar elementos paratextuais (como a correspondência entre o autor e o tradutor e a realização das capas dos livros) e sua respectiva relevância na concretização do livro.

Referências bibliográficas

ALVES, M.C.R. Rubem Fonseca na França. 2006. 196 f. Tese (Doutorado em Teoria
Literária e Literatura Comparada) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-21052007-
154655/publico/TESE_MARIA_CLAUDIA_RODRIGUES_ALVES.pdf  
CARVALHAL, T.F. Literatura Comparada. São Paulo Ática, 1992. (Série Princípios) 
FONSECA, R. Un été brésilien. Trad. Philippe Billé. Paris: Grasset, 1993. 
__________. Agosto. São Paulo: Companhia das Letras. 1991.
GENETTE, G. Paratextos Editoriais. Trad. de Álvaro Faleiros. Cotia/São Paulo: Ateliê
Editorial, 2009. 
__________. Seuils. Paris: Seuils, 1987. 
__________. Palimpsestes. Paris: Seuils, 1982. 
JOLY, M. Introdução à análise da imagem. Trad. Marina Appenzeller. Campinas/São
Paulo: Papirus editora, 1996. 
MACHADO, U. A capa do livro brasileiro 1820-1950. Cotia/São Paulo: Ateliê
Editorial; São Paulo: SESI-SP Editora, 2017. 
MANGUEL, A. Lendo imagens. Trad. Rubem Figueiredo, Rosaura Fichenberg, Cláudia
Strauch. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

9 de junho | 14:30-16:00

As duas traduções de Grande sertão: veredas para o francês
Ministrante: Márcia Valéria Martinez de Aguiar (Universidade Federal de São Paulo)

Com a publicação de Sagarana, em 1946, Guimarães Rosa captura a crítica e o público brasileiros com a novidade de uma escrita que, enraizando-se no sertão, subvertia os paradigmas dos romances regionalistas. Dez anos mais tarde, Corpo de baile e Grande sertão: veredas confirmam essa consagração, e suas obras começam a ser traduzidas. Na França, Grande sertão: veredas foi lançado em 1965, recebendo uma segunda tradução em 1991. Nesta aula, serão examinadas essas duas traduções, buscando identificar como cada tradutor entendeu a singularidade da escrita de Guimarães Rosa.

Referências bibliográficas

CANDIDO, A. O homem dos avessos. In: COUTINHO, E. F. de (Org.). Guimarães
Rosa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. (Coleção Fortuna Crítica, p.
294-309).
LARANJEIRA, M. Poética da tradução. São Paulo: Edusp, 1993.
MESCHONNIC, H. Critique du rythme: anthropologie historique du langage. 2 . ed.
Verdier, 1982.
ROSA, J. G. Diadorim. Tradução Maryvonne Lapouge-Pettorelli. Paris: Albin
Michel, 1991.
ROSA, J. G. Diadorim. Tradução Jean-Jacques Villard. Paris: Albin Michel, 1965.

14 de junho | 14:30-16:00

Tradução de sonetos franceses de Sérgio Milliet
Ministrante: Valter Cesar Pinheiro (Universidade Federal de Sergipe)

Nesta sessão, serão apresentadas – e discutidas – as traduções realizadas por Valter Cesar Pinheiro para sonetos de Sergio Milliet escritos em língua francesa. Esses sonetos, de caráter neorromântico-simbolista, integram os primeiros livros publicados pelo autor, Par le sentier, em 1917, e Le départ sous la pluie, em 1919, na Suíça.

Referências bibliográficas

MILLIET, Sérgio. Par le sentier. Genebra/Paris: Éditions du Carmel, 1917.
MILLIET, Sérgio. Le départ sous la pluie. São Paulo/Genebra: Édition du Groupe
Littéraire Jean Violette, 1919.

16 de junho | 14:30-16:00

Tratado sobre a tolerância, de Voltaire: "Curto e ao alcance de todos"
Ministrante: Ana Luíza Bedê (Universidade Federal de Viçosa)

Discutir um tema espinhoso de forma acessível ao público, eis um dos objetivos de Voltaire ao escrever o Tratado sobre a tolerância (1763). Em sua correspondência, ao anunciar aos amigos o “livrinho”, forma como se referia ao Tratado, que em breve seria lançado, Voltaire (1694-1778) salientava os trechos cômicos, as passagens dramáticas e os enfoques passíveis de chocar ou comover o leitor. A fim de abordar uma questão política e filosófica fundamental, o autor se serve dos mais variados recursos: carta, diálogo, prosopopeia, crônica política, memorial jurídico, prece, paralelo e exegese bíblica. Trata-se de comentar e discutir alguns percalços enfrentados pelo tradutor ao abordar um texto que alude a polêmicas complexas e a fatos históricos por meio de linguagem sutil e repleta de subentendidos.

Referências bibliográficas

BERMAN, Antoine. A Tradução e A Letra ou o albergue do longínquo. Tradução de
Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan e Andréia Guerini. Rio de
Janeiro:7Letras/PGET, 2007.
VOLTAIRE. Traité sur la tolérance. Apresentação e notas de René Pomeau. Paris:
Flammarion, 1989.
___________. Tratado sobre a tolerância. Introdução, notas e bibliografia de René
Pomeau. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
___________. Tratado sobre a tolerância. Tradução de William Lagos. Porto Alegre:
L&PM Editores, 2008.
____________. Tratado sobre a tolerância. Tradução Antonio Geraldo da Silva. São
Paulo: Escala, 2008.
____________. Tratado sobre a tolerância. Tradução e notas de Ana Luiza Reis Bedê.
São Paulo: Martin Claret, 2017.
____________. Tratado sobre a tolerância. Tradução, notas e prefácio de Leandro
Cardoso Marques da Silva. São Paulo: Edipro, 2017.

21 de junho | 14:30-16:00

Traduzir e editar De la démocratie en France, de François Guizot
Ministrante: Marisa Midori Deaecto (Universidade de São Paulo)

Paris, Londres, Bruxelas, Liège, Haia, Maestricht, Utrecht, Oslo, Estocolmo, Berlim, Frankfurt an der Oder, Leipzig, Grimma, Breslau, Viena, Madrid, Palma, Nápoles, Turim, Lisboa, Nova York, Cidade do México, Rio de Janeiro... 49 edições impressas logo após o lançamento simultâneo em Londres e Paris, em 10 de janeiro de 1849, sem contar as reimpressões e reedições. De la démocratie en France foi publicado em diferentes línguas e modalidades editoriais, o que nos permite flagrar o mesmo texto editado em brochura, folheto e até mesmo em folhetim. Tais aspectos, a saber, a ampla difusão geográfica, somada às formas editoriais e às diferentes traduções (em português, foram, pelo menos, quatro versões) levantam a seguinte pergunta: em que medida a história editorial, em diálogo com a bibliografia material, pode contribuir para o estudo sobre a tradução de um texto? Noutros termos, as formas editoriais alteram o conteúdo da escrita? Em se tratando das escolhas do tradutor e do editor, como abordar essa questão à luz de um estudo de caso?

Referências bibliográficas

Actes du Colloque François Guizot (1974). Paris, Société de l’Histoire du
Protestantisme Français, 1976.
Agulhon, Maurice. 1848. O Aprendizado da República. São Paulo, Paz e Terra, 1991.
Baric, Daniel. Langue Allemande, Identité Croate. Au Fondement d’un Particularisme
Culturel. Paris, Armand Colin, 2013.
Brouillons d’Écrivains. Exposition, Paris, Bibliothèque Nationale de France, 27 févr.-
24 juin 2001. Sous la Direction de Marie Odile Germain et Danièle Thibault. Paris,
BnF, 2001.
Candido, Antonio. Literatura e Sociedade. Estudos de Teoria e História Literária. 8.
ed. São Paulo, T. A. Queiroz, 2000.
Chartier, Roger. A Mão do Autor e a Mente do Editor. Trad. George Schlesinger. São
Paulo, Ed. Unesp, 2013.
Encrevé, Alain. “Guizot et la Démocrate en France”. In: Chamboredon, Robert (org.).
Guizot: Passé-Present. Paris, L’Harmatan, 2010.
Espagne, Michel. “La Fonction de la Traduction dans les Transferts Culturels Franco-
Allemands aux xviiie et xixe Siècles. Le Problème des Traducteurs Germanophones”.
Revue d’Histoire Littéraire de la France, n. 3, pp. 413-427, mai-juin 1997.
____. “La Notion de Transfert Culturel”. Revue Sciences/Lettres, n. 1, 2012.
____. Les Transferts Culturels Franco-Allemands. Paris, Presses Universitaires de
France, 1999.
____. “Transferências Culturais e História do Livro”. Livro. Revista do Núcleo de
Estudos do Livro e da Edição. São Paulo, Ateliê Editorial, n. 2, pp. 21-34, 2012.
Marson, Izabel Andrade. Revolução Praieira, Resistência Liberal à Hegemonia
Conservadora em Pernambuco e no Império (1842-1850). São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2009.
____. O Império do Progresso: A Revolução Praieira em Pernambuco (1842-1855).
São Paulo, Brasiliense, 1981.
Kristeva, Julia. “Le Texte Clos”. Langages, vol. 3, n. 12, pp. 103-125, 1968.
McKenzie, D. F. Bibliogra a e Sociologia dos Textos. Trad. Fernanda Veríssimo. São
Paulo, Edusp, 2018 (1. ed. fr., 1999).
Rosanvallon, Pierre. Le Moment Guizot. Paris, Gallimard, 1985.
Theis, Laurent. François Guizot. Paris, Fayard, 2008.
____. “François Guizot et ses Éditeurs. Une Page de l’Histoire du Livre au xixe Siècle”.
Bulletin de la Société de l’Histoire du Protestantisme Français. Genève/Paris,
Droz, 2013, tome 159.

23 de junho | 14:30-16:00

A tradução de Casa grande e senzala em francês
Ministrante: Glória Carneiro do Amaral (Universidade de São Paulo)

A fascinação de Roger Bastide pela obra de Gilberto Freyre levou-o a fazer a única tradução de sua carreira: Casa grande e senzala para o francês. Realizada em 1952, foi reeditada pela Gallimard em 1974, confirmando o interesse do público francês pela obra do sociólogo brasileiro. É até hoje, para a ministrante, a única tradução francesa dessa obra. Procurar-se-á discutir como foi recebida essa tradução e quais os equívocos e acertos do tradutor, francês e não especializado na área. Embora a tradução revele deficiências no conhecimento de um léxico específico, deve-se considerar a defasagem temporal e o empenho e entusiasmo do sociólogo francês.

Referências bibliográficas

BARTHES, Roland. “Maîtres et esclaves”. Œuvres Complètes. Tome I, 1942-1965.
Paris, Seuil, 1993. Pp.253-5.]
BASTIDE, Roger. Compte rendu de Ordem e Progresso. In: Cahiers Internationaux de
Sociologie. XXVII. 1959. Vol.27. jul.dez: 177-180.
CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, Sérgio
Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: J.Olympio, 1976, p. XIX.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1992. 28ed.
_______________. Maîtres et esclaves. (la formation de la société brésilienne). Paris,
Gallimard, (coll. La Croix du Sud, 1952 e 1974).
KIRSCH, Gabriela Friess. Poética da tradução e tradução estética: Nove, novena na
França e na Alemanha. Tese de doutoramento apresentada no DTLLC, da FFLCH,
USP, 1998.
LARANJEIRA, Mário. “Crítica da tradução”. A tradução: alvos e ferramentas. IV
Encontro Nacional de tradutores, USP, FFLCH/DLM/CET, 1 A 6 DE ABRIL 1990
MARTINS, Wilson. “Casa-Grande e Senzala” em francês. Revista Anhembi (Ano IV).
Vol.14. abril de 1954, no.41. Pp.338-40.
MASON, J.-Y. “Sur une traduction imaginaire de Sapho.” “La commotion des langues”
In: Césure Revue de la convention psychanalytique”. N11, 1996, p.31-43.
MESCHONNIC, H. Pour la poétique II. Épistémologie de l’écriture. Poétique de la
traduction. Paris Gallimard, 1973.
PAES, José Paulo. Tradução: a ponte necessária. São Paulo, Atica, 1990.
RONAI, P. A tradução vivida. Rio, Educação e Cultura Ltda., 1976.

28 de junho | 14:30-16:00

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: tradução e recepção na França
Ministrante: Lucia Granja (Universidade Estadual de Campinas)

Neste encontro, serão conhecidas todas as tentativas que Machado de Assis fez para ter traduzida a sua obra Memórias póstumas de Brás Cubas para o alemão e/ou francês, línguas de prestígio, à época, no que se refere à edição e circulação cultural internacional. Nesse processo, serão analisadas todas as tentativas conhecidas de negociação entre o escritor brasileiro e os editores Garnier e o contexto final em que a obra foi finalmente traduzida e publicada em francês, dois anos após o falecimento do escritor.

Referências bibliográficas

GRANJA, Lúcia. Três é demais! (ou Por que Garnier não traduziu Machado de Assis?).
Machado de Assis em Linha, v.11, .n. 25, p.18 - 32, 2018.
GUIMARÃES, Hélio. Uma vocação em busca de línguas: as (não) traduções de
Machado de Assis. In: Machado de Assis, tradutor e traduzido. Org. de Andreia
Guerini, Luana Freitas e Walter Carlos Costa. Florianópolis, SC: PGET/UFSC, 2012,
p. 35-43
MACHADO DE ASSIS, J. M. Correspondência de Machado de Assis: 5 tomos.
Coordenação e orientação de Sérgio Paulo Rouanet; reunida, comentada e organizada
por Irene Moutinho e Silvia Eleutério. Rio de Janeiro: ABL, 2008-2015. Tomo II, 1870-
1889, 2009; Tomo III, 1890-1900, 2011.
LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. A profissionalização do escritor no Brasil
do século XIX. Fragmentum, Santa Maria, n. 45, p. 65-92, 2015.

30 de junho | 14:30-16:00

A recepção de Gabriela, cravo e canela no Brasil e na França
Ministrante: Antonio Dimas (Universidade de São Paulo)

O surgimento de Gabriela, cravo e canela em 1958, no Brasil, quebrou o jejum narrativo de Jorge Amado, que vinha desde 1954. Nesse ano, ao publicar Os subterrâneos da liberdade, nossa crítica preferiu o silêncio ostensivo, dado o caráter panfletário dessa trilogia. Com Gabriela, o autor abandonava o proselitismo político, alterava sua chave narrativa de forma radical e voltava a ser assunto das boas seções literárias do periodismo brasileiro. Na Europa e nos EUA, seu sucesso não foi menor, dado que a caboclinha de aparência ingênua correspondia a muitos estereótipos do imaginário masculino.

Referências bibliográficas
ALVES, Ívia I. Alves (Org.) - Em torno de Gabriela e Dona Flor. Salvador: Fundação
Casa de Jorge Amado, 2004.
DARMAROS, Marina F. - Caso Jorge Amado: O poder soviético e a publicação
de Gabriela, cravo e canela. SP: USP/FFLCH, 2019. Doutoramento.
Jorge Amado. 30 anos de literatura. São Paulo: Martins, 1961.
RAILLARD, Alice - Conversando com Jorge Amado. Trad. Annie Dymetman. Rio:
Record, 1991.
TOOGE, Marly D. B. – Traduzindo o Brazil: o país mestiço de Jorge Amado. Ms. São
Paulo: USP/FFLCH, 2009. Mestrado.

Carga Horária:

12 horas
Tipo: Obrigatória
Vagas oferecidas: 350
 
Ministrantes: Ana Luiza Reis Bedê
Antonio Dimas de Moraes
Gloria Carneiro do Amaral
Lucia Granja
Marcia Valeria Martinez de Aguiar
Maria Cláudia Rodrigues Alves
Marisa Midore Deaecto
Valter Cesar Pinheiro


 
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