Atividade

23065 - Carcaterização de Extratos de Solanum lycocarpum (lobeira) e avaliação da atividade antioxidante.

Período:
Quinta 8:00 às 12:00
 
Descrição: 1. INTRODUÇÃO

Solanum lycocarpum A. St.-Hil, conhecida popularmente como a fruta do lobo, lobeira ou jurubebão, é uma planta brasileira da família Solanaceae, encontrada em todo o cerrado brasileiro, predominantemente no Sudeste e Centro-oeste do país. O fruto da lobeira constitui fonte alimentar para mamíferos desta região, em especial durante a estação seca quando a disponibilidade de outros frutos é escassa (MOTTA A et al., 2002; ELIAS et al., 2003).

A lobeira é uma planta perene, arbustiva ou arbórea, ramificada com caule tortuoso, medindo entre 2,0 a 3,5 m de altura quando adulta. Apresenta folhas duras e espinhosas e fruto carnoso, globoso a subgloboso, com 8 a 12 cm de diâmetro, que apresenta coloração amarelo-esverdeada a amarelada, quando maduro (MOTTA et al., 2002).

Os alcalóides são os compostos mais encontrados na família solanácea e a eles são atribuídos diversos efeitos farmacológicos como analgésicos, narcóticos, estimulantes centrais, midriáticos, mióticos, hipertensores e hipotensores (ROBBER, 1997).

Estudos fitoquímicos sobre a composição química do polvilho de lobeira mostram a presença de solamargina, solasonina (MOTIDOME, LEEKING, GOTTLIEB, 1970; HARAGUCHI et al., 1978), rebeneosideo A, rebeneosideo B, 12-hidroxisolasonine (YOSHIKAWA et al., 2003) e solasodina, sendo este último um alcalóide esteroidal com configuração estereospecífica para a semi-síntese de hormônios estereoidiais (KERBER et al., 1993; YOSHIKAWA, 2003).

A toxicidade reprodutiva do fruto da lobeira tem sido objeto de estudos no Centro de Biologia da Reprodução da Universidade Federal de Juiz de Fora – Minas Gerais, tendo sido observado que a suspensão aquosa do polvilho da lobeira administrado no período prévio à implantação do blastocisto não alterou o desenvolvimento do embrião, não alterou seu transporte ou reduziu o número de blastocistos em desenvolvimento, nem a sua implantação no útero (PETERS et al., 2001; PETERS et al., 2002, MAROU et al., 2003).

Administrada no período de organogênese de ratos, afetou o desenvolvimento de fetos do sexo masculino, que apresentaram menor peso corporal, maior peso da placenta e menor peso do fígado, embora não tenha apresentado efeitos tóxicos sobre o organismo materno, nem sua capacidade de levar a gestação a termo (GUERRA et al., 1997). No período de fetogênese o polvilho de lobeira, administrado às ratas, induziu retardo de crescimento intra-uterino do feto, das placentas, de fígado e de pulmão (CHANG et al., 2002).

Popularmente os frutos da lobeira são utilizados por apresentarem efeitos, calmante, sedativo, antiepilético, antiespasmódico (CRUZ, 1982; LORENZI, 1991), e antiinflamatório (VIEIRA JR et al., 2003). Entretanto, a principal utilização popular é para o tratamento do Diabetes Mellitus e da obesidade, reduzindo os níveis de colesterol (YOSHIKAWA et al., 2007).

Para o tratamento do Diabetes Mellitus e da redução de níveis de colesterol, utilza-se o polvilho extraído da fruta da lobeira (YOSHIKAWA et al., 2007).
Segundo OLIVEIRA (2003), a produção do polvilho de lobeira se da através da extração aquosa do fruto seco, sob maceração com agitação. Após o processo de extração, filtra-se o material e o extrato é mantido sob refrigeração por 24 horas para a precipitação do polvilho da lobeira. Este polvilho é lavado sucessivamente com água e seco, devendo ser armazenado sob refrigeração.

O efeito hipoglicemiante causado pelo polvilho de lobeira, segundo DALL’AGNOL et al. (2000), ocorre devido a polissacarídeos de baixa absorção (gomas), que ativam o sistema endócrino liberando hormônios gastrointestinais, reduzindo assim os níveis de glicose sangüínea. Porém OLIVEIRA et al. (2003), utilizando doses de 1000 e 2000 mg/kg de polvilho de lobeira em ratos diabéticos, induzidos por estreptozotocina, não observaram efeito hipoglicemiante significativo, na metodologia empregada.

Em face disso, o Laboratório de Processos Farmacêuticos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP/USP), propõe desenvolver um trabalho de pesquisa com objetivo de investigar diferentes metodologias de produção de extratos de Solanum lycocarpum (lobeira), avaliando a quantidade de materiais extraíveis e a avaliação da atividade antioxidante dos extratos.

2. OBJETIVOS

O presente trabalho tem por objetivo investigar diferentes metodologias de produção de extratos de Solanum lycocarpum (lobeira), avaliando a quantidade de materiais extraíveis e a atividade farmacológica antioxidante dos extratos. A finalidade é identificar possíveis ações farmacológicas antioxidantes que possibilitem o desenvolvimento de produtos fitoterápicos.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Materiais

Serão utilizados frutos maduros de Solanum lycocarpum, coletados na região de Barretos, Estado de São Paulo e identificados botanicamente.

3.2 Métodos experimentais

3.2.1 Produção de extratos

Para a produção de extratos, serão utilizados frutos secos de Solanum lycocarpum e os seguintes solventes: água, solução hidroalcoólica 50 % (v/v), etanol e éter etílico, em duas relações de massa de planta e volume de solvente.
Os extratos serão produzidos utilizando três técnicas diferentes, sendo maceração com agitação constante a temperatura ambiente, maceração com agitação constante e aquecimento e ultra-som.
Serão utilizados três tempos de extração a fim de avaliar a quantidade de glicoalcalóides extraídos. A descrição detalhada dos equipamentos a serem utilizados nessa etapa do trabalho está apresentada em SOUZA (2003).


3.2.2 Caracterização físico-química dos extratos

Após obtidos os extratos, estes serão caracterizados através da determinação de pH do extrato, densidade relativa, viscosidade, teor de materiais extraídos, determinação quantitativa de glicoalcalóides, tendo como padrão o glicoalcalóide: solasodine.

3.2.3 Avaliação da atividade antioxidante

A ação antioxidante da Solanum lycocarpum será analisada pela capacidade dos antioxidantes presentes na amostras captarem o radical livre DPPH (1,1-difenil-2-picrilhidrazina), conforme as metodologias descritas por WU et al. (2005).

3.2.4 Proposta de tratamento dos dados

Para o tratamento e análise dos dados experimentais obtidos pretende-se utilizar técnicas de planejamento experimental e métodos estatísticos, tais como planejamento fatorial, análise de variância e regressão não linear (VIEIRA, 2000).

4. CRONOGRAMA

No período de Julho a Agosto de 2007 serão realizadas: a revisão bibliográfica, padronização das metodologias de caracterização físico-químicas dos extratos.
No período de Setembro e Outubro de 2007 serão realizadas: a revisão bibliográfica, produção dos extratos e caracterização físico-químicas dos extratos obtidos.
No período de Novembro e Dezembro de 2007 serão realizadas: análise da atividade antioxidante dos extratos obtidos.
Em janeiro de 2008 será realizada a confecção de um relatório final dos experimentos e a redação de um artigo científico.

5. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA

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Carga Horária:

80 horas
Tipo: Obrigatória
Vagas oferecidas: 1
 
Ministrantes: Wanderley Pereira de Oliveira


 
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