Atividade

91825 - Branco sai, Preto fica: uma introdução à antropologia de autores negros

Período:
Terça 19:00 às 22:00
 
Descrição: OBJETIVOS
Apresentar uma introdução às obras de autores negros/as, cuja contribuição à Antropologia e às Ciências Sociais permanece desconhecida ou inexplorada.

EMENTA
“Branco sai, Preto fica” (2015) é o nome de um filme premiado em festivais no Brasil e no
exterior, com roteiro e direção de Adirley Queirós. A expressão que dá nome ao filme se refere à fala de um policial durante a invasão de um baile de black music, em 1986. Na cena, os brancos deveriam deixar o salão, enquanto os pretos ficam e apanham. Com a ação da polícia, tiros são trocados e dois dançarinos acabam feridos. Segundo os críticos, o mérito do filme está na mistura bem-sucedida de elementos do gênero documental, de musicais e de ficção científica, numa trama que revela o apartheid entre a cidade satélite de Ceilândia e o Plano Piloto de Brasília. A partir da inspiração cinematográfica de “Branco sai”, o curso propõe uma introdução à antropologia de autores negros e negras, cujas obras, estilos e temas têm sido silenciados na história da disciplina. Veja-se o caso do antropólogo haitiano Joseph-Anténor Firmin (1850-1911), que publicou no ano de 1885, em Paris, o seu Discurso sobre a igualdade das raças: antropologia positiva. Embora a obra de Firmin seja anterior aos primeiros escritos de Émile Durkheim e Marcel Mauss, o seu nome não aparece nas disciplinas de história das Ciências Sociais e tampouco no panteão dos precursores da Escola Sociológica Francesa.
Neste caso, “Preto fica” se refere a uma releitura da história da Antropologia. Tal como no filme de Adirley Queirós, não se trata de apresentar uma narrativa linear e muito menos exaustiva, mas sobretudo de ler e de analisar as trajetórias e as obras de autores que, em suas pesquisas e diferentes estilos de escrita, transitaram entre os movimentos sociais, as artes e a literatura, a etnografia e a teoria antropológica.

CONTEÚDO SELECIONADO
I. Por uma antropologia antirracista
II. O que a antropologia deve a Joseph-Anténor Firmin?
III. Martin Delany: “Princípios de Etnologia” e a ideia de nacionalismo negro
IV. Manuel Raymundo Querino e a aurora da antropologia no Brasil
V. Zora Neale Hurston e o “Renascimento do Harlem”
VI. Katherine Dunham e a antropologia da dança
VII. Edison Carneiro e o estudo das relações raciais
VIII. Lélia González: a antropologia e o feminismo negro
IX. Archie Mafeje: a ideologia do tribalismo e a antropologia (pós)colonial

METODOLOGIA
A – Metodologia: aulas expositivas sobre o conteúdo selecionado para o curso, seguido de discussões e dinâmicas para a interação dos participantes.
B – Recursos: computador, data show e áudio: para exibição de imagens e de vídeos que serão usados como recursos didáticos

BIBLIOGRAFIa

BÁSICA:
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pp.325-374.
QUERINO, M.R. O colono preto como fator da civilização brasileira. Afro-Ásia, n.13, 1980 (1918)

COMPLEMENTARES:
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_______. O intelectual “feiticeiro”: Édison Carneiro e o campo de estudos das relações raciais no Brasil.
Tese de Doutorado em Antropologia Social, UNICAMP, 2011.

Carga Horária:

27 horas
Tipo: Obrigatória
Vagas oferecidas: 70
 
Ministrantes: Messias Moreira Basques Junior


 
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