Disciplina Discipline ARQ5100
Arqueologia, comunidades e populações tradicionais: temáticas e perspectivas teórico-metodológicos de pesquisa

Archaeology, communities and traditional groups: themes, and theoretical and methodological research perspectives

Área de Concentração: 71131

Concentration area: 71131

Criação: 21/06/2017

Creation: 21/06/2017

Ativação: 21/06/2017

Activation: 21/06/2017

Nr. de Créditos: 4

Credits: 4

Carga Horária:

Workload:

Teórica

(por semana)

Theory

(weekly)

Prática

(por semana)

Practice

(weekly)

Estudos

(por semana)

Study

(weekly)

Duração Duration Total Total
4 0 2 10 semanas 10 weeks 60 horas 60 hours

Docente Responsável:

Professor:

Fabiola Andrea Silva

Objetivos:

O encontro da arqueologia com as comunidades e populações tradicionais tem sido fundamental para o desenvolvimento das práticas e dos conhecimentos arqueológicos. Ao longo da história da disciplina, os arqueólogos sempre se utilizaram de dados etnográficos para elaborar suas interpretações sobre os materiais arqueológicos. Primeiramente, se apropriando dos dados produzidos por outrem (p.ex. viajantes, naturalistas, antropólogos, missionários, funcionários estatais, etc) e, posteriormente, se utilizando dos dados obtidos a partir de suas próprias observações etnográficas. Nesta disciplina pretendemos compreender esta faceta da prática arqueológica, analisando como as diferentes formas de apropriação e/ou obtenção de dados etnográficos (p.ex. analogia etnográfica, etnoarqueologia, arqueologia experimental, arqueologia do presente, etnografia arqueológica, etnografia da arqueologia) são reveladoras das transformações teórico-metodológicas da disciplina ao longo do tempo, e do modo como ela tem compreendido a materialidade arqueológica e a sua relação com diferentes coletivos humanos.

Justificativa:

Na arqueologia, em um primeiro momento, os dados etnográficos foram apropriados como subsídios (etno-históricos e antropológicos) que poderiam servir de referência analógica para a interpretação dos dados arqueológicos. De lá para cá muita coisa mudou no cenário arqueológico e um novo sentido vem sendo dado para os dados etnográficos e para a prática etnográfica na arqueologia – tanto em termos da experiência etnográfica em si, como da sua tradução textual. Agora se trata de fazer uma etnografia arqueológica que, em última instância, coloca para si as mesmas questões da etnografia antropológica. Nos últimos anos, a prática etnográfica na arqueologia tem revelado que as materialidades do passado não são apenas vestígios das ações humanas, resíduos de um determinado tempo e história, ou registros arqueológicos que se preservaram até o presente. Cada vez mais se apreende que as ocorrências do passado são elas mesmas constitutivas de distintas temporalidades e historicidades, devendo ser mais bem definidas como coisas persistentes que continuam no presente. Neste sentido é importante avaliar como se dá o encontro da arqueologia com as comunidades e populações tradicionais na medida em que este encontro reflete e atualiza os pressupostos da crítica pós-colonial, bem como evidencia os modos de apropriação da disciplina por diversos coletivos humanos vulnerabilizados (p.ex. quilombolas, indígenas, camponeses, pastores, ribeirinhos, sertanejos, etc), chamando a atenção para a responsabilidade social e política do arqueólogo.

Conteúdo:

As noções de comunidade e populações tradicionais na Arqueologia. Analogia etnográfica (abordagem histórica-direta e analogia geral). Etnoarqueologia, Arqueologia do Presente, Etnografia Arqueológica, Etnografia da Arqueologia, Práticas arqueológicas Colaborativas. A crítica pós-colonial e o movimento de descolonização da arqueologia.

Forma de Avaliação:

Observação:

Bibliografia:

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