Disciplina Discipline ARQ5104
Esparta: expansão e organização territorial no Peloponeso (VIII a.C. - V a.C.)

Sparta: expansion and territorial organization in the Peloponnese (8th - 5th centuries BC)

Área de Concentração: 71131

Concentration area: 71131

Criação: 25/05/2018

Creation: 25/05/2018

Ativação: 08/06/2018

Activation: 08/06/2018

Nr. de Créditos: 2

Credits: 2

Carga Horária:

Workload:

Teórica

(por semana)

Theory

(weekly)

Prática

(por semana)

Practice

(weekly)

Estudos

(por semana)

Study

(weekly)

Duração Duration Total Total
4 1 0 6 semanas 6 weeks 30 horas 30 hours

Docentes Responsáveis:

Professors:

Maria Beatriz Borba Florenzano

Márcia Cristina Lacerda Ribeiro

Objetivos:

Este curso pretende abordar o padrão de assentamento empregado e desenvolvido por Esparta, entre os séculos VIII a.C. e V a.C., a partir dos dados arqueológicos disponíveis e de discussões atualizadas, além do uso de fontes primárias. Interessa-nos entender: a) como Esparta expandiu seu domínio cobrindo uma área de mais de oito mil quilômetros quadrados, b) o que motivou a expansão, c) quais mecanismos institucionais foram utilizados para manter o poder sobre tão extenso território, com variadas comunidades tanto em tamanho quanto em grau de sujeição, d) quais elementos contribuíam para dar unidade a periecos e esparciatas sob a identidade de Lacedemônios (sua organização do tipo katà kómas, sua paisagem sagrada e seu culto comum), e) Discutir a controversa questão da falta de muralhas em torno da ásty de Esparta. Finalmente, a disciplina pretende examinar algumas semelhanças e diferenças entre a organização espacial de Esparta e de algumas outras pólis, como Atenas, Siracusa, Corinto, Síbaris, Elis, na tentativa de desconstruir, em alguma medida, a ideia de atipicidade da pólis espartana.

Justificativa:

A despeito de vir crescendo o número de pesquisadores que se debruça sobre o estudo da pólis espartana, ainda predomina na historiografia um viés atenocêntrico, quando á Esparta cabe apenas o papel de antimodelo de pólis em comparação com o modelo por excelência, Atenas. Nossa expectativa é proporcionar aos alunos uma discussão atualizada, que dê conta de apresentar os dados arqueológicos disponíveis e os novos debates, com o intuito de fomentar a discussão sobre a propalada atipicidade de Esparta, quando comparada a outras pólis. No universo políade, com mais de mil cidades catalogadas, não havia uma pólis ‘típica’ ou ‘normal’ ou ‘padrão’, e embora seu conjunto apresentasse uma identidade helena comum, cada pólis deve ser compreendida apenas em sua especificidade, sem necessidade de qualquer exame valorativo.

Conteúdo:

1. Esparta, a historiografia atenocêntrica e o estágio atual das investigações; 2. A organização espacial da ásty espartana: as ôbai (a estrutura katà kómas); 3. A expansão territorial de Esparta e a identidade Lacedemônia: fronteiras, rotas de comunicação e sistema defensivo; 4. A paisagem sagrada de Esparta; 5. O espaço geográfico natural, o ambiente construído e a questão em torno da falta de muralhas; 6. O padrão de assentamento de Esparta em comparação com outras pólis (Atenas, Siracusa, Corinto, Síbaris, Elis).

Forma de Avaliação:

Observação:

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