Disciplina Discipline ARQ5110
Comunicação Museológica - Princípios e Aplicações em exposição e educação patrimonial

Museological communication - Principles and Applications in exhibition and heritage education

Área de Concentração: 71131

Concentration area: 71131

Criação: 12/05/2021

Creation: 12/05/2021

Ativação: 20/05/2021

Activation: 20/05/2021

Nr. de Créditos: 4

Credits: 4

Carga Horária:

Workload:

Teórica

(por semana)

Theory

(weekly)

Prática

(por semana)

Practice

(weekly)

Estudos

(por semana)

Study

(weekly)

Duração Duration Total Total
4 1 1 10 semanas 10 weeks 60 horas 60 hours

Docente Responsável:

Professor:

Marília Xavier Cury

Objetivos:

1- Conceituar Comunicação Museológica e estabelecer interfaces e diálogos com a arqueologia, antropologia e sociologia 2- Refletir sobre questões relacionadas à comunicação em museus, com ênfase em exposição e educação em museus e patrimonial 3- Entender a participação do(s) público(s) como ator(es) do processo comunicacional 4- Introduzir as diretrizes dos estudos de recepções 5- Discutir qualidade comunicacional em exposição e educação 6- Refletir sobre curadoria colaborativa e compartilhada de exposição e educação patrimonial

Objectives:

1- Conceptualize Museological Communication and establish interfaces and dialogues with archeology, anthropology and sociology. 2- Reflect on issues related to communication in museums, with an emphasis on exhibition and education in museums and heritage education. 3- Understand the public(s) participation as an actor(s) in the communication process. 4- Introduce guidelines for reception studies. 5- Discuss communication quality in exhibition and education. 6- Reflect on collaborative and shared curatorship of exhibitions and heritage education.

Justificativa:

Partimos das três funções básicas do museu (científica, educacional e social) para aprofundar um aspecto da curadoria – a comunicação museológica. A referência teórica da Comunicação adotada parte do deslocamento dos meios para as mediações culturais, lugar desde onde as interpretações se constroem (Martín-Barbero). Inicialmente a disciplina situa o museu como espaço de relações estabelecidas (profissionais, públicos) e de cruzamentos de culturas (as dos profissionais, as dos públicos). A partir da concepção de Mediação Cultural, é discutida a recepção e o papel do receptor, considerando a relação com a emissão e o emissor, e as formas interpretativas dialógicas negociadas. Interessa-nos o entendimento do museu como espaço de conflito, disputa, trocas, negociações e reconciliações, tensões, enfim, questões inerentes aos processos de democratização por meio das exposições e da educação patrimonial.

Rationale:

We set from the three basic functions of the museum (scientific, educational and social) to deepen an aspect of curatorship - museological communication. The adopted theoretical reference of the Communication sets from the displacement of means to cultural mediations, a place from which interpretations are built (Martín-Barbero). Initially, the discipline places the museum as a space for established relationships (professionals, audiences) and crossroads of cultures (those of professionals, those of audiences). Based on the concept of Cultural Mediation, reception and the role of the receiver are discussed, considering the relationship with the emission and the sender, and the negotiated interpretative forms. We are interested in understanding the museum as a space for conflict, dispute, exchange, negotiation and reconciliation, tensions, in short, issues inherent to the processes of democratization through exhibitions and heritage education.

Conteúdo:

1- A Comunicação e o museu, posicionamentos e deslocamentos, abordagens a partir dos anos 1970 até o fim do séc. XX – as relações entre emissão/emissor, meio (exposição e educação) e recepção/receptor e a “revolução comunicacional” 2- Séc. XXI e a virada epistemológica – Dos meios para as mediações, Teoria da Comunicação e a Interdisciplinaridade: potencialidades para os museus 3- Teoria da Comunicação e Comunicação Museológica – Reflexões para a musealização e a curadoria 4- Teoria das Mediações – o museu como campo de disputas em torno das mensagens. 5- A integração do processo comunicacional – condições de produção, veiculação de mensagens e recepção 6- O(s) público(s) como ator(es), o(s) público(s) como curador(es) do museu 7- A crise da museologia e a Museologia Crítica – coleção, participação, hegemonia e políticas públicas 8- A crise da museologia e a Museologia Social – museus comunitários, processos de colaboração e ativismo 9- As práticas e narrativas museais e os atores contra-hegemônicos – das ausências para as emergências 10 – As pesquisas de recepção – a mudança de olhar e de locus

Content:

1- Communication and the museum, positions and displacements, approaches from the 1970s to the end of the 20th century - the relations between emission/emitter, medium (exhibition and education) and reception/receiver and the “communicational revolution”. 2- 21st century and the epistemological turn - From media to mediations, Communication Theory and Interdisciplinarity: potential for museums. 3- Communication Theory and Museological Communication - Reflections for musealization and curatorship. 4- Mediations Theory - the museum as a field of disputes over messages. 5- The integration of the communication process - production conditions, message delivery and reception. 6- The public(s) as actor(s), the public(s) as curator(s) of the museum. 7- The museology crisis and Critical Museology - collection, participation, hegemony and public policies. 8- The museology crisis and Social Museology - community museums, collaborative processes and activism. 9- Museum practices and narratives and counter-hegemonic actors - from absences to emergencies. 10 – Reception studies - the change of look and locus.

Forma de Avaliação:

Cada discente deve apresentar dois trabalhos para avaliação: 1- Exercício de observação e análise de exposição (trabalho escrito com possibilidade de ilustrações) 2- Trabalho escrito final. Cada trabalho receberá uma nota de 0 (zero) a 10 (dez). A nota final será a média simples das notas das duas avaliações. O conceito final corresponderá da seguinte forma: Nota 9 a 10 = A – Excelente, com direito a crédito Nota 7,0 a 8,5 = B – Bom, com direito a crédito; Nota 5,0 a 6,5 = C – Regular, com direito a crédito; Nota 4,5 ou inferir = R – Reprovado, sem direito a crédito;

Type of Assessment:

Each student must present two papers for evaluation: 1- Exhibition observation and analysis exercise (written work with the possibility of illustrations). 2- Final written paper. Each paper will receive a score from 0 (zero) to 10 (ten). The final grade will be the simple average of the grades of the two evaluations. The final score will correspond as follows: Score 9 to 10 = A – Excellent, entitled to credit; Score 7,0 to 8,5 = B – Good, entitled to credit; Score 5,0 to 6,5 = C – Regular, entitled to credit; Score 4,5 or lower = R – Failed, not entitled to credit.

Observação:

Bibliografia:

CURY, Marília Xavier. Circuitos museais para a visitação crítica: descolonização e protagonismo indígena. Revista Iberoamericana de Turismo, v. 7, p. 87-113, 2017a. CURY, Marília Xavier. Lições Indígenas para a Descolonização dos Museus – Processos Comunicacionais em discussão. Cadernos CIMEAC, v. 7, n. 1, p. 184-211, 2017b. CURY, Marília Xavier. Comunicação museológica. Perspectiva teórica e metodológica de recepção. Tese (Doutorado em Comunicação) – ECA, USP, 2005. FERREIRA, Lúcio Menezes. Essas coisas não lhes pertencem: relações entre legislação arqueológica, cultura material e comunidades. Revista de Arqueologia Pública, n. 7, p. 87-106, jul. 2013. KREPS, Christina F. Liberating culture: cross-cultural perspective on museums, curation and heritage preservation. London: Routledge, 2003. MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Tradução de Ronald Polito e Sergio Alcides. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997. NAVARRO, Óscar; TSAGARAKI, Christina. Museos en la crisis: una visión desde la museología crítica. Museos.es, n. 5-6, p. 50-57, 2009-2010. ONCIUL, B. Indigenous peoples and international Museology. In: Museums, heritage and indigenous voice: decolonising engagement. New York: Routledge, 2015. p. 26-44. PACHECO DE OLIVEIRA, João; SANTOS, Rita de Cássia M. Descolonizando a ilusão museal – etnografia de uma proposta expositiva. LIMA FILHO, Manuel; ABREU, Regina; ATHIAS, Renato. Museus e atores sociais: perspectivas antropológicas. Recife: Ed. UFPE, 2016. PORTO, Nuno. Para uma museologia do sul global. Multiversidade, descolonização e indigenização dos museus. Revista Mundaú, n. 1, p. 59-72, 2016. PRICE, Sally. Higienização da cultura, poder e produção de exposições museológicas. In: LIMA FILHO, Manuel; ABREU, Regina; ATHIAS, Renato (Org.). Museus e atores sociais: perspectivas antropológicas. Recife: UFPE: ABA, 2016. p. 273-283. ROCA, Andrea. Museus indígenas na Costa Noroeste do Canadá e nos Estados Unidos: colaboração, colecionamento e autorrepresentação. Revista de Antropologia, v. 58, p. 117-142, 2015. SILVA, Fabíola Andréa. “Leva para o museu e guarda”. Uma reflexão sobre a relação entre museus e povos indígenas. In: CURY, Marília Xavier. (Org.). Museus e indígenas: saberes e ética, novos paradigmas em debate. São Paulo: Secretaria da Cultura: ACAM Portinari: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2016. p. 71-79. SILVA, Fabíola Andréa. Arqueologia colaborativa com os Asurini do Xingu: Um relato sobre a pesquisa no igarapé Piranhaquara, T.I. Koatinemo. Revista de Antropologia, n. 2, p. 143-172, 2015. TANGUAY, Jean. Política, representação e diálogo nos Museus da Civilização: Primeiros Povos e museologia indígena no Québec. In: CURY, Marília Xavier. (Org.). Direitos indígenas no museu – Novos procedimentos para uma nova política: a gestão de acervos em discussão. São Paulo: Secretaria da Cultura: ACAM Portinari: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2016. p. 229-238.

Bibliography:

CURY, Marília Xavier. Circuitos museais para a visitação crítica: descolonização e protagonismo indígena. Revista Iberoamericana de Turismo, v. 7, p. 87-113, 2017a. CURY, Marília Xavier. Lições Indígenas para a Descolonização dos Museus – Processos Comunicacionais em discussão. Cadernos CIMEAC, v. 7, n. 1, p. 184-211, 2017b. CURY, Marília Xavier. Comunicação museológica. Perspectiva teórica e metodológica de recepção. Tese (Doutorado em Comunicação) – ECA, USP, 2005. FERREIRA, Lúcio Menezes. Essas coisas não lhes pertencem: relações entre legislação arqueológica, cultura material e comunidades. Revista de Arqueologia Pública, n. 7, p. 87-106, jul. 2013. KREPS, Christina F. Liberating culture: cross-cultural perspective on museums, curation and heritage preservation. London: Routledge, 2003. MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Tradução de Ronald Polito e Sergio Alcides. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997. NAVARRO, Óscar; TSAGARAKI, Christina. Museos en la crisis: una visión desde la museología crítica. Museos.es, n. 5-6, p. 50-57, 2009-2010. ONCIUL, B. Indigenous peoples and international Museology. In: Museums, heritage and indigenous voice: decolonising engagement. New York: Routledge, 2015. p. 26-44. PACHECO DE OLIVEIRA, João; SANTOS, Rita de Cássia M. Descolonizando a ilusão museal – etnografia de uma proposta expositiva. LIMA FILHO, Manuel; ABREU, Regina; ATHIAS, Renato. Museus e atores sociais: perspectivas antropológicas. Recife: Ed. UFPE, 2016. PORTO, Nuno. Para uma museologia do sul global. Multiversidade, descolonização e indigenização dos museus. Revista Mundaú, n. 1, p. 59-72, 2016. PRICE, Sally. Higienização da cultura, poder e produção de exposições museológicas. In: LIMA FILHO, Manuel; ABREU, Regina; ATHIAS, Renato (Org.). Museus e atores sociais: perspectivas antropológicas. Recife: UFPE: ABA, 2016. p. 273-283. ROCA, Andrea. Museus indígenas na Costa Noroeste do Canadá e nos Estados Unidos: colaboração, colecionamento e autorrepresentação. Revista de Antropologia, v. 58, p. 117-142, 2015. SILVA, Fabíola Andréa. “Leva para o museu e guarda”. Uma reflexão sobre a relação entre museus e povos indígenas. In: CURY, Marília Xavier. (Org.). Museus e indígenas: saberes e ética, novos paradigmas em debate. São Paulo: Secretaria da Cultura: ACAM Portinari: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2016. p. 71-79. SILVA, Fabíola Andréa. Arqueologia colaborativa com os Asurini do Xingu: Um relato sobre a pesquisa no igarapé Piranhaquara, T.I. Koatinemo. Revista de Antropologia, n. 2, p. 143-172, 2015. TANGUAY, Jean. Política, representação e diálogo nos Museus da Civilização: Primeiros Povos e museologia indígena no Québec. In: CURY, Marília Xavier. (Org.). Direitos indígenas no museu – Novos procedimentos para uma nova política: a gestão de acervos em discussão. São Paulo: Secretaria da Cultura: ACAM Portinari: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2016. p. 229-238.