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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
 
Hist da Arq e Estética do Projeto
 
Disciplina: AUH0516 - Fundamentos Sociais da Arquitetura e Urbanismo II
Social Foundations of Architecture and Urbanism Planning II

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 0
Carga Horária Total: 60 h
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2011 Desativação:

Objetivos
a) compreender as mudanças nas experiências e significados do espaço e do tempo na sociedade capitalista contemporânea entre meados do século XIX e o início do século XXI;
b) examinar as transformações nos processos de trabalho e acumulação no período focalizado e seus rebatimentos na distribuição territorial e particularmente no processo de urbanização;
c) acompanhar a formação das classes, seu enraizamento concreto na divisão do trabalho e as posições, composições e antagonismos que assumem reciprocamente na luta social;
d) problematizar as transformações no espaço público e as praticas de regulação do mercado e do trabalho, com o aprofundamento da questão social, da cidadania e dos Direitos;
e) caracterizar o processo de modernização, industrialização e comodificação da cultura, particularmente nos aspectos que interessam para a arquitetura, o urbanismo e o design;
f) articular as transformações globais no mundo capitalista com os processos locais e nacionais em suas distintas temporalidades;
g) fornecer aos alunos elementos de compreensão histórico-crítica dos processos de construção e urbanização, projeto e planejamento.
 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
60220 - Ana Lucia Duarte Lanna
 
Programa Resumido
A disciplina analisa as profundas transformações no capitalismo internacional, entre meados do século XIX, com a ascensão da grande indústria e do novo imperialismo, e os processos contemporâneos, políticos, econômicos, sociais e culturais, da chamada pós-modernidade. Nesse arco temporal, propõe-se articular as transformações globais aos processos nacionais, regionais e urbanos, focalizando as novas relações de trabalho e produção, os processos de diferenciação espacial e social, a formação e conflitos de classe, a questão do espaço publico e da cidadania, as transformações na economia, na distribuição territorial, na vida e na cultura das cidades.
 
 
 
Programa
As transformações no capitalismo a partir de meados do século XIX. A nova complexidade das cidades e as novas relações de trabalho e produção. A questão social e a pobreza urbana, a questão sanitária e habitacional; as grandes metrópoles mundiais e o reformismo urbano. Ascensão da grande empresa no ‘novo imperialismo’ e a inserção do Brasil no capitalismo internacional; café e ferrovias; abolição do tráfico de escravos e lei de terras; trabalho livre e imigração estrangeira; urbanização e industrialização. A crise de 1929, o entre-guerras e o Estado de bem estar. O pós-guerra e o nacional-desenvolvimentismo no Brasil: metropolização, migração e periferização; disparidades sociais e regionais. O momento global contemporâneo e a condição pós-moderna: crise de acumulação e reestruturação produtiva mundial; crise da subjetividade moderna e a sociedade de massas; as novas desigualdades e a problemática do ambiente construído; impactos no tecido urbano e nas formas de intervenção nas cidades e suas expressões no Brasil; desafios e impasses colocados para o urbanismo no século XXI.
 
 
 
Avaliação
     
Método
A periodização com que a disciplina trabalha estende-se de meados do século XIX ao momento contemporâneo, e propõe refletir sobre o campo da modernidade e da pós-modernidade, articulando a formação da sociedade brasileira no quadro mundial do capitalismo. Tal proposta se justifica por uma opção metodológica e pedagógica. Sem jamais desconsiderar as questões da atualidade como horizonte crítico de todo trabalho historiográfico, o recorte adotado fundamenta-se em uma permanente prevenção metodológica contra os vícios do evolucionismo, do etnocentrismo e do anacronismo valorizando também as rupturas, cortes, inflexões, permanências e descontinuidades da relação tempo-espaço na abordagem de cada período da história. Desse modo, noções como progresso, linearidade, origem, transposição de modelos, estilo, entre outros, e seus usos nesse campo de reflexão - a idéia de origem privilegiadamente remetida à civilização ocidental, particularmente ao eurocentrismo, a sucessão de estilos ou o determinismo tecnológico pensados como fio da história, a reiteração da perspectiva do erudito como universo único e inquestionável do conhecimento, etc - são objeto de uma constante reflexão crítica a partir dos elementos de crise na constituição e desenvolvimento desse próprio campo.
Levando tais preocupações comuns, a disciplina é ministrada simultaneamente em no mínimo três turmas separadas a cargo dos professores responsáveis em cada semestre. Cada um dos docentes tem suas próprias estratégicas didático-pedagógicas, mas há uma valorização tanto das aulas expositivas quanto das discussões coletivas de textos pré-selecionados. Também são frequentemente utilizados filmes ou documentários como suportes às discussões sobre os diversos temas e conteúdos.
Critério
Assim como variam as estratégias de exposição do conteúdo, também os processos de avaliação são conduzidos pelos professores de modo diferenciado, alternando-se momentos de avaliação individual e coletiva (entre provas, monografias finais, resenhas ou fichamentos de texto).
Norma de Recuperação
Terão direito a recuperação, todos os alunos que obtiverem nota mínima 3,0 (três) e freqüência mínima de 70%, de acordo com as normas vigentes.
 
Bibliografia
     
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