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Júpiter - Sistema de Graduação

Escola de Comunicações e Artes
 
Artes Cênicas
 
Disciplina: CAC0559 - Práticas Performativas II
Performative Practices II

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 0
Carga Horária Total: 60 h
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2010 Desativação:

Objetivos
Objetivo Geral
Recuperar as relações entre as artes visuais e as artes cênicas como espaço de constituição das práticas performativas. Historiar esse período de constituição e posterior separação de ambas. Na seqüência, reconstituir os vários momentos de rearticulação dos contatos entre as duas áreas, levados a cabo por artistas e teóricos brasileiros e internacionais.

Objetivos Específicos
Analisar e discutir o caráter híbrido da performance como uma linguagem que transita entre as artes visuais e as artes cênicas, em suas relações com a música, a literatura, o cinema e as práticas culturais coletivas.

Estudar e analisar as relações entre as práticas performativas e a tecnologia.

Estimular a criação e a produção de práticas performativas pelos alunos dos Departamentos de Artes Plásticas e Artes Cênicas.

 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
2091181 - Ana Maria da Silva Araujo Tavares
266021 - Antônio Carlos de Araújo Silva
50091 - Domingos Tadeu Chiarelli
2157301 - Marcelo Denny de Toledo Leite
2532442 - Marcos Aurélio Bulhões Martins
1614087 - Mario Celso Ramiro de Andrade
 
Programa Resumido
A quebra do cubo branco e da caixa preta: a performance na rua I. Environmental theatre e site-specific performance. Teatros Performativos. Práticas performativas no espaço urbano: estudos brasileiros. Práticas performativas urbanas recentes. Práticas performativas e tecnologia / performance e mídia. Práticas performativas e tecnologia. Performance e mídia. Performance como resistência.
 
 
 
Programa
1. A quebra do cubo branco e da caixa preta: a performance na rua I.

Conteúdos: vários artistas, a partir, sobretudo da experiência dada e surrealista, resistiram à excessiva tentativa de confinamento da arte em espaços “purificados”, buscando um maior entrosamento entre as práticas artísticas e o público, entre elas e a vida. Esta aula e a seguinte buscarão historiar essas propostas dentro de uma perspectiva crítica.
Enfoques: O trabalho pioneiro de Flávio de Carvalho no campo da performance e da intervenção em contextos específicos: Experiencia n.2 (1933) e o New Look (1956). Suas relações com o surrealismo e as proximidades de suas propostas com o Situacionismo. A anti-arte de Hélio Oiticica - O Parangolé como experiência ambiental, a manifestação através da dança e a busca pela arte total. Experiências coletivas e colaborativas nos trabalhos de Ligia Pape. Apocalipopótese.
Laboratório: Os exercícios propostos nesta e na aula seguinte buscarão propor experiências de performances em espaços públicos, com o objetivo de permitir aos alunos a experiência da performance fora de espaços institucionalizados.

2. Environmental theatre e site-specific performance.

3. Teatros Performativos.
Conteúdo: Robert Wilson, Romeo Castelucci/Societas, Raffaello Sanzio, Jan Lauwers/Needcompany.

4. Práticas performativas no espaço urbano: estudos brasileiros.
Conteúdo: Mitos Vadios. O Graffiti como prática performativa: corpo e gestos na pintura com spray. Os grupos de intervenção urbana. O Movimento da Poesia Pornô, no Rio de Janeiro. Evento de Fim de Década em São Paulo.
Laboratório: Concepção e produção de trabalhos em aula com o objetivo de permitir aos alunos a experiência da performance fora de espaços institucionalizados.

5. Práticas performativas urbanas recentes.
Conteúdo: Os Encontros Relâmpagos [Flash mobs] na era da internet. Os Coletivos na passagem do século XXI no Brasil. O “artivismo”. Mídias móveis e os novos aparatos de mediação.

6. Práticas performativas e tecnologia / performance e mídia.
Conteúdo: A performance high tech nos ambientes de arte mídia. Telecomunicação e arte: o corpo e a palavra nas conexões via satélite. Corpo-aparato: corpo e tecnologia, performance em telepresença. Obra-viva: performance da vida (a arte genética de Eduardo Kac). Corpo e cidades mediatizados.

7. Performance e mídia.

8. Performance como resistência.
Conteúdo: Trabalhos performáticos no Brasil durante os anos da ditadura: Artur Barrio, Antonio Manuel, Cildo Meireles, Helio Oiticica, Ligia Pape, Paulo Brusky, Leticia Parente, Ana Bella Geiger. As manifestações de rua, os teatros fora do palco, os grafitti, as intervenções urbanas. No mundo: o advento do feminismo, o Living Theater, o Ativismo Vienense, os festivais de música hippie, o movimento negro, o movimento gay.

Temas e Linhas de Pesquisas futuras:

A criação desta disciplina inter-departamental, invariavelmente irá abrir um campo de possibilidades de pesquisas que poderão ser desenvolvidas pelos grupos de estudos de cada departamento. Num primeiro levantamento, alguns temas se apresentam com forte potencial:

1. Mapeamento das Práticas Performativas que nasceram e se desenvolveram no ambiente da Escola de Comunicações e Artes, desde a sua fundação. Este levantamento de obras, artistas e eventos, irá enfocar os trabalhos realizados por professores, ex-professores, alunos e ex-alunos da nossa Escola, evidenciando o envolvimento de praticamente três gerações de artistas, dos quais muitos, foram atuantes no Departamento de Artes Plásticas.

2. Criação de um Banco de Depoimentos de artistas brasileiros com trabalhos no campo das práticas performativas. Esses depoimentos serão mais enfocados no registro de obras até agora pouco conhecidas e pouco documentadas. Este Banco de Depoimentos será uma das fonte de referências para futuros trabalhos de pesquisa dos nossos alunos e dos grupos de estudos ligados à disciplina. No campo destas futuras pesquisas sobre a arte-performance no Brasil, figuram artistas como Nelson Leirner, Paulo Bruscky, José Roberto Aguilar, Gabriel Borba, Guto Lacaz, Ivald Granato, Arthur Barrio, Antonio Dias, Galizia, Paulo Yutaka; ao lado de grupos como o Viajou Sem Passaporte, 3NÓS3, Gextu, D'magrela e, ainda, eventos como as “14 Noites de Performance”, “Mitos Vadios”, “Fim de Década” e o “Festival Internacional de Teatro” do Ruth Escobar.

3. Banco de publicações sobre as práticas performativas no Brasil. É crescente o número de publicações sobre este tema em português e, por isso mesmo, um dos trabalhos do grupo de estudos será o de compilar e sistematizar os títulos de trabalhos já publicados. Este será mais um material de referência da disciplina à disposição dos alunos da graduação e da pós-graduação.

4. Performance sonora e artes visuais. A prática performática e visual da música. Grupos, bandas e coletivos sonoros formados por artistas visuais na cidade de São Paulo. Improvisações sonoras e a performance de objetos. Intervenções sonoras no espaço urbano e instalações sonoras em ambientes expositivos. O espectador performer (como no espaço criado pela Dora Longo Bahia no Tomie Ohtake).

 
 
 
Avaliação
     
Método
A disciplina inter-departamental se integra e complementa CAPXXXX Práticas Performativas I, oferecida pelo Departamento de Artes Plásticas como Optativa Eletiva para todos os alunos dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura do Departamento de Artes Cênicas. Teórica e prática, a matéria se desenvolve por meio de aulas expositivas, seminários e performances, apresentados pelos alunos.
Critério
1. Frequência.
2. Presença.
3. Desempenho.
4. Cooperação.
5. Realização de tarefas teóricas e práticas.

Norma de Recuperação
Não há.
 
Bibliografia
     
Banes, Sally. Greenwich Village 1963: avant-garde, performance e o corpo efervescente. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
BASBAUM, Ricardo. Além da pureza visual. Ed. Zouk. Porto Alegre, RS. 2007.
BATTCOCK, Gregory e Nicklas, Robert. The Art of Performance – a critical anthology. Ed. E. P. Dutton, Inc. Nova York, 1984.
BAURRIAUD, Nicolas. Estética Relacional. Editora Perspectiva. Coleção Debates. São Paulo, 2002.
BRETT, Guy. Brasil Experimental, arte/vida: proposições e paradoxos. Ed. Contra Capa. Rio de Janeiro, 2005.
Caderno Vídeobrasil 01. Performance. São Paulo: Associação Vídeobrasil, 2005.
CARERI, Francesco. El andar como práctica estética. Editorial Gustavo Gill. Barcelona, 2006.
CARVALHO, Flavio. A Moda e o Novo Homem. São Paulo: Senac, 1992.
CARVALHO, Flávio. Experiência n. 2. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2001.
Catálogo da 3. Bienal do Mercosul. Performances no Hospital Psiquiátrico São Pedro. Porto Alegre, 2001.
CLARK, Ligia. “O homem como suporte vivo de uma arquitetura biológica imanente”. in Gullar, Ferreira (org.). Arte Brasileira Hoje. São Paulo: Paz e Terra, 1973.
COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Editora Perspectiva. Coleção Debates, 2002.
COHEN, Renato. Work in Progress na cena Contemporânea. Ed.Perspectiva. São Paulo, 1997.
Favaretto, Celso. A Invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: EDUSP, 1992.
FOSTER, Hal; Krauss, Rosalind; Bois, Yve-Alain; e Buchloh, Benjamin H. D. Art since 1900 – Modernism, Antimodernism and Postmodernism. Ed. Thames & Hudson. Nova York, 2004.
GLUSBERG, Jorge. A Arte da Performance. Ed. Perspectiva. São Paulo, 1987.
GOLDBERG, Roselee - Foreword by Laurie Anderson. Live Art since the 60’s. Ed. Thames & Rudson. New York, 2004.
GOLDBERG, Roselle. A Arte da Performance: Do Futurismo ao Presente. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1979.
GUATARRI, Felix/ Rolnik, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Ed. Vozes, São Paulo, 2005.
HEARTNEY, Eleanor. Pós-Modernismo. Coleção Movimentos da Arte Moderna. Ed. Cosac & Naify. São Paulo, 2002.
HILL, Leslie & Paris, Helen. Performance and Place. Ed. Antony Rowe. London, 2006.
HILL, Marcos; Rolla, Marco Paulo (Orgs.). MIP: Manifestação Internacional de Performance. Belo Horizonte: CEIA - Centro de Experimentação e Informação de Arte, 2005.
HOFFMANN, Jens and Jonas, Joan. Art Works – Perform. Ed. Thames & Hudson. C & C Offset Printing. China, 2005.
JACQUES, Paola Berenstein (org.). Apologia da deriva: escritos situacionista sobre a cidade. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.
JUSTINO, José Maria. Seja Marginal, Seja Herói: modernidade e pós-modernidade em Hélio Oiticia. Curitiba: Ed. da UFPR, 1998.
MELIM, Regina. Performance nas Artes Visuais. Zahar Editora. Rio de Janeiro, 2008.
Modos de hacer: Arte crítico, esfera pública y acción directa. (vários autores). Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2001.
MONTANO, Linda. M. Performance – artists talking in the eighties. University of California Press. London, 1987.
MOURE, Glória. Ana Mendieta. Ed. Centro Galego de Arte Contemporânea. Chile, 1996.
O’DOROTY, Brian. No Interior do Cubo Branco. Ed. Martins Fontes. São Paulo, 2002.
OITICICA, Hélio & Clarck, Lygia. Cartas: 1964-74. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 1898.
OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.
OLIVA, Fernando (org.). Cover=reencenação+repetição. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2008.
RAMIRO, Mario. ”Intervalos e desdobramentos”. in Tedesco, Eliane. Sobreposições Imprecisas. São Paulo : Escrituras Editora, 2003, p. 48-51.
SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: Qual é o parangolé?. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
SANTAELLA, Lúcia. Culturas e Artes do Pós Humano. Ed. Paulus. São Paulo, 2003.
Toledo, J. Flávio de Carvalho, o comedor de emoções. São Paulo: Brasiliense; Campinas: Ed. da Unicamp, 1994.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. São Paulo: Cosac Naify Edições, 2007.

Artigos

FABRIS, Annateresa. “Centro histórico e cidade moderna”. Revista Expor, v. 1, n. 2, p. 9-18, abril 1996.
GOTO, Newton. “Situação 'PR' - 69/01 ...ndo...”. Gazeta do Povo, Curitiba: 16 de dezembro de 2001, p. 9; Gazeta do Povo, Curitiba: 23 de dezembro de 2001. p. 7 e Gazeta do Povo, Curitiba: 30 de dezembro de 2001, p. 3.
KRAUSS, Rosalind. “A Escultura no Campo Ampliado”. Revista Gávea - Revista do Curso de Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil da PUC/RJ, Rio de Janeiro, n. 1, p. 87-93, 1984.
RAMIRO, Mario. “Between Form and Force: connecting architectonic, telematic and thermal spaces”. Revista Leonardo, V. 31, N. 4 (1998), p. 247- 260.
RAMIRO, Mario. “Grupo 3NÓS3 Le dehors s'élargit / Grupo 3NÓS3 The Outside Expands”. Revista Parachute. Montréal (Québec), p. 41-53, 2004.
Videografia

EDWUARDS, Rupert. What is Live Art? Londres: Live Art Development Agency, 2002. DVD.
HILL, Leslie. Everything you wanted to know about Live Art but were afraid to ask. Londres: Live Art Development Agency, 2005. DVD.
PACITI Company. Spill – festival of performance. Londres: Arts Council England, 2002 DVD.
VASON, Manuel e Cazzato-Vieyra, Lisa. Joing the Dots Plataform DVD – selected works from a Live Art Development Agency National Plataform Documentation Project 2006-2007. Londres: Live Art Development Agency, 2007. DVD.
WILSON, Martha. History of Performance art Accoding to Me. Londres: Live Art Development Agency, 2005. DVD.

Textos para conferir

GONÇALVES, Fernando Nascimento. “Performance multimídia: Laurie Anderson e arte feita de palavras e bits”. Actas do III SOPCOM, VI LUSOCOM e II IBÉRICO - Volume I, p. 517-523.
MELO, Victor Andrade. “Esporte, futurismo e modernidade”. Revista História, Franca, vol. 26, n.2, 2007
OLIVEIRA, Wagner Lacerda. Diário de Passagem – poéticas visuais híbridas de um corpo mutável. Dissertação, PPG em Artes Visuais, Universidade Federal da Bahia, 2008.
PHELAN, Peggy. A ontologia da performance: representação sem reprodução. Revista de Comunicação e Linguagens, Lisboa: Edição Cosmos, n. 24, p.171-191, 1997. (não localizado)
PIANOWSKI, Fabiane. “O corpo como arte - Günter Brus e o acionismo vienense”. Revista Observaciones Filosóficas - Universidad Complutense de Madrid, Nº 5, 2007
SANTOS, José Mário Peixoto. “Breve Histórico da 'performance art' no Brasil e no mundo”. Revista Ohun, Salvador: ano 4, n. 4, p. , dez 2008.
SCHECHNER, R. “O que é performance?” Percevejo, Rio de Janeiro, ano 11, n. 12, p.25-50, 2003.
Teixeira. João Gabriel L. C. “Artificações, Inquietações e Experimentações em Sociologia da Arte”. 17° Encontro Nacional da Anpap, Florianópolis, Panorama da Pesquisa em Artes Visuais, 2008.
 

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