Informações da Disciplina

Júpiter - Sistema de Gestão Acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação


Escola de Comunicações e Artes
 
Artes Plásticas
 
Disciplina: CAP0180 - Evolução das Artes Visuais - Século XVIII
Evolution of the Visual Arts I - XVIII Century

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 1
Carga Horária Total: 90 h ( Práticas como Componentes Curriculares = 15 h )
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2020 Desativação:

Objetivos
O curso apresentará uma visão histórica e filosófica do período inicial da "arte moderna", dirigida à discussão de algumas de suas obras paradigmáticas. Desenvolverá a perspectiva da era moderna como "estado de exceção", implantado à base de colonialismo, escravidão, "enclosures" e absolutismo, e correlatamente confrontará diferentes acepções da noção de Esclarecimento. À luz de tal debate introduzirá os temas que presidem à gênese do campo prático e reflexivo da modernidade e de suas primeiras experiências artísticas. Assim o curso discutirá a questão da "invenção da liberdade" e seus efeitos sobre a arte; o processo de transição que se desdobra desde as proposições de de Winckelmann (1717-1768) e da emergência da crítica dos Salões por intermédio de Diderot (1713-1784), até a ruptura estabelecida pela refundação e reestruturação da experiência estética na Revolução Francesa, que propiciou elementos, no âmbito da cultura, para a transição romântica, e, num plano maior o modo de dominação burguês. Confrontando, pois, desde o começo, as diversas concepções de Esclarecimento, Luzes, Ilustração e Iluminismo o curso procurará delimitar o campo inicial da "arte moderna" no entrecruzamento de distintos elementos e saberes não artísticos: a propriedade, o regime colonial-mercantil, o poder absoluto e seus modos de controle, o individualismo e suas disciplinas; a superação do artesanato e o conflito entre os modos de trabalho e produção à luz das lutas da Revolução Francesa, e da expansão colonial-capitalista subseqüente; as mutações na concepção da visualidade determinadas pela ciência positivista do século 19, especialmente a fisiologia; a nova sociabilidade resultante da revolução industrial e dos processos de reestruturação urbana; a experiência e a produtividade da "arte moderna" como ato tenso e heterogêneo, combinação de espontaneidade e crítica reflexiva sob a mediação da forma-mercadoria. A formação didático-pedagógica do professor de artes visuais está contemplada nos conteúdos e práticas desta disciplina.
 
 
 
Programa Resumido
A era moderna como "estado de exceção": preâmbulo histórico e fatores constitutivos, visão crítica geral da ideologia "ilustrada"; a "invenção da liberdade", premissas gerais e proposições correlatas no campo da arte:II. Tensões e superação do campo neoclássico: a Revolução Francesa e seus desdobramentos artísticos e culturais; a trajetória de J.-L. David (1748-1825); elementos do campo romântico: III. Novas contradições da pintura depois da Revolução :
 
 
 
Programa
I. A era moderna como "estado de exceção": preâmbulo histórico e fatores constitutivos, visão crítica geral da ideologia "ilustrada"; a "invenção da liberdade", premissas gerais e proposições correlatas no campo da arte: 1. Condições estruturais: expropriações, escravismo, "enclosures", colonialismo, absolutismo; discussão da noção de "Ilustração", em suas diferentes acepções; 2. O barroco como limiar da modernidade, segundo G. C. Argan (1909-1992); 3. As Academias e o absolutismo: as novas situações da arte e de sua produção; a questão dos gêneros como disciplinas; gênero histórico e gêneros menores; a formação do artista; 4. De Winckelmann ao anticlassicismo de Diderot (1713-1784): a situação do paradigma clássico antes da Revolução Francesa; a construção da arte como paradigma de significação ético-histórica e coisa pública; o proto-realismo de Diderot; introdução ao ponto de vista de Baudelaire (1821-1867) sobre a arte da Revolução; arquitetura e patrimonio na Ilustração e na Revolução; 5. Artífices do Esclarecimento: o pensamento liberal inglês e a Revolução Industrial; Rousseau (1712-1778) e Kant (1724-1804). Alguns temas: refundação da sociedade e da subjetividade, e a regeneração da linguagem como pontos de uma nova plataforma para as artes; a experiência estética, as belas-artes, o sublime, o gênio e o juízo de gosto na Crítica do Juízo; considerações em torno da idéia de progresso moral e jurídico; II. Tensões e superação do campo neoclássico: a Revolução Francesa e seus desdobramentos artísticos e culturais; a trajetória de J.-L. David (1748-1825); elementos do campo romântico: 1. David, a Revolução e a República: análise detalhada de um percurso pictórico, estético e político: o retratista da burguesia liberal, antes e durante a primeira fase da Revolução; o projeto de Nantes; o “Juramento do Jeu de Paume”; o croquis exaltando a monarquia constitucional; 2. A cultura republicana: a "arquitetura da Liberdade": formas novas e proposições éticas; participação, virtude e épica como proposições visuais da I República; propaganda e organização das festas; 3. A pintura republicana de David; os retratos Pastoret y Chalgrin (Trudaine); a relação pintura-discurso nos quadros dos mártires: Le Peletier de Saint-Fargeau (1793); Marat (1793); o desenho de Maria Antonieta, inimiga da Nação (1793); Robespierre (1758-1794), o caso Bara (1793) e o quadro correlato (1794); a pintura como filosofia; a "auto-declaração" da pintura; o sublime pictórico; a função estrutural da pincelada; o auto-retrato de David na prisão (1794); 4. A posição de Baudelaire: David como origem da arte moderna; contraposição com a interpretação formalista acerca de Manet (1832-1883) como origem da arte moderna. III. Novas contradições da pintura depois da Revolução : 1. David sob o Diretório, o Consulado e o Império: a nova posição do autor; a arte como livre-iniciativa e atividade autônoma; ironia e distanciamento: novo retrato; nova pintura de história; análise do Retrato de Mme. Récamier (1800); 2. David no processo de totemização de Bonaparte/ Napoleão; imagens de Napoleão no Consulado e no Império (1806-7; 1812); 3. Romantismo, subjetividade e questão nacional: a linguagem das pulsões e a questão da liberdade - anticolonialismo e abolicionismo em Géricault (1791-1824); a nova pincelada; Géricault na Inglaterra: litografia e emergência da questão urbana; Goya (1746-1828): subjetividade, corporeidade e nacionalismo; 4. Reestruturação da subjetividade: a fragmentação da cor; a revolução científica: as pesquisas fisiológicas e a nova determinação da percepção; reestruturação da subjetividade e da visualidade; 5. Rumo a 1848: a arquitetura e o urbanismo da era industrial; romantismo, questão urbana e revivals; o Manifesto Comunista
 
 
 
Avaliação
     
Método
O curso compreenderá aulas expositivas e possivelmente seminários; recorrerá intensivamente à leitura de textos historiográficos e à análise de textos de estética do período, e proporá a análise e a discussão de obras, apresentadas visualmente no correr do curso, mediante slides ou outros meios.
Critério
Os estudantes elaborarão um projeto de pesquisa, e eventualmente, mediante proposição e aceitação do professor, poderão apresentar seminários.

Norma de Recuperação
O aluno deverá prestar uma prova que versará sobre o conteúdo do programa. A prova será realizada durante o mês de férias do respectivo semestre letivo.
 
Bibliografia
     
Comunidades Imaginadas/ Reflexões sobre a Origem e a Difusão do Nacionalismo, trad. Denise Bottman, São Paulo, Companhia das Letras, 2008; Benedict ANDERSON, Comunidades Imaginadas/ Reflexiones sobre el Origen y la Difusion del Nacionalismo, trad. E. L. Suarez, Mexico, Fonde de Cultura Economica, 1993;
Giulio Carlo ARGAN, Arte Moderna/ do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos, pref. Rodrigo Naves, trad. Denise Bottmann e Federico Carotti, São Paulo, Cia das Letras, 1993.
Giulio Carlo ARGAN, História da Arte Italiana 3/ De Michelangelo ao Futurismo, pref. Lorenzo Mammì, trad. Wilma De Katinsky, São Paulo, Cosac & Naify, 2003.
Giulio Carlo ARGAN, Imagem e Persuasão/ Ensaios sobre o Barroco, org. Bruno Contardi; trad. Maurício S. Dias; rev. técnica e sel. iconográfica Lorenzo Mammì, São Paulo, Cia. das Letras, 2004;
Leonardo BENEVOLO, História da Arquitetura Moderna, trad. A. M. Goldberger, São Paulo, Perspectiva, 2001.
Leonardo BENEVOLO, História da Cidade, trad. S. Mazza, São Paulo, Perspectiva, 2001.
Walter BENJAMIN, "Sobre o conceito de história", in Michel LÖWY, Walter Benjamin: Aviso de Incêndio/ Uma Leitura das Teses "Sobre o conceito de história", trad. W. N. Caldeira Brant, trad. das teses J-M. Gagnebin, M.L. Müller, São Paulo, Boitempo, 2005.
Nigel BLAKE e Francis FRASCINA, “As práticas modernas da arte e da modernidade”, in F. FRASCINA ... (et alii), Modernidade e Modernismo/ A Pintura Francesa no Século XIX, trad. T. R Bueno, São Paulo, Cosac & Naify, 1998.
Antonio CANDIDO, “Literatura e subdesenvolvimento”, in idem, Educação pela Noite e outros Ensaios, São Paulo, Ática, 1989, pp. 140-162;
Ernst CASSIRER, A Filosofia do Iluminismo, trad. Alvaro Cabral, Campinas, Ed. Unicamp, 1997.
Ernst CASSIRER, A Questão Jean-Jacques Rousseau, trad. E. J. Paschoal, J. Gutierre, rev. M. Isabel Loureiro, São Paulo, UNESP, 1999.
Denis DIDEROT, Ensaios sobre a Pintura, trad., apresentação e notas de Enid Abreu Dobránszky, Campinas, Papirus/Editora da Unicamp, 1993.
Enid Abreu DOBRÁNSZKY, “Apresentação: os Ensaios sobre a Pintura de Diderot: uma estética da sensibilização”, in D. DIDEROT, idem.
Jorge GRESPAN, Revolução Francesa e Iluminismo, São Paulo, Contexto, 2003;
Eric J. HOBSBAWM, A Era das Revoluções/ 1789-1848, trad. M. T. Lopes Teixeira e M. Penchel, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.
Herbert MARCUSE, Razão e Revolução/ Hegel e o Advento da Teoria Social, trad. de Marília Barroso, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978.
Juan Antonio RAMÍREZ, Como Escribir sobre Arte y Arquitectura/ Libro de Estilo e Introducción a los Géneros de la Crítica y de la Historia del Arte, Barcelona, Serbal, 2005.
Roberto ROSSELLINI, The Rise of Louis XIV, película, 1966, 100 m., dial. fr., subt. ingl., Hen´s Tooth Video, 1990;
Jean STAROBINSKI, 1789: Os Emblemas da Razão, pref. J. Coli, trad. M. L. Machado, São Paulo, Cia das Letras, 1988.
Jean STAROBINSKI, A Invenção da Liberdade, trad. F. M. L. Moretto, São Paulo, UNESP, 1994.
 

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