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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
 
Antropologia
 
Disciplina: FLA0387 - Antropologia das emoções: modos de (re)construção e de regulação da vida social
Anthropology of emotions: (re)construction and regulation of social life

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 4
Carga Horária Total: 180 h
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2014 Desativação:

Objetivos
Esta disciplina tem por objetivo abordar temáticas presentes, mas em parte resistentes às análises antropológicas como a emoção e a moral. O foco deste curso incidirá sobre a dimensão micro-politica da emoção, dos sentimentos e da moral na (re)construção do tecido social, especialmente em contextos sociais expostos a um tipo de violência reconhecida “sob o signo do horror”, como o Apartheid, por exemplo. Neste sentido, dor, ressentimento, perdão e reconciliação, compaixão e desprezo serão explorados e analisados tanto da forma como ecoam nas relações pessoais e nas negociações cotidianas (na domesticação ou não da violência e do racismo, por exemplo) quanto nos eventos políticos mais amplos (desde revoltas populares às comissões de verdade).
 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
5597260 - Laura Moutinho da Silva
 
Programa Resumido
Esta disciplina tem por objetivo abordar temáticas presentes, mas em parte resistentes às análises antropológicas como a emoção e a moral. O foco deste curso incidirá sobre a dimensão micro-politica da emoção, dos sentimentos e da moral na (re)construção do tecido social, especialmente em contextos sociais expostos a um tipo de violência reconhecida “sob o signo do horror”, como o Apartheid, por exemplo. Neste sentido, dor, ressentimento, perdão e reconciliação, compaixão e desprezo serão explorados e analisados tanto da forma como ecoam nas relações pessoais e nas negociações cotidianas (na domesticação ou não da violência e do racismo, por exemplo) quanto nos eventos políticos mais amplos (desde revoltas populares às comissões de verdade).
 
 
 
Programa
Ao explorar as emoções e a moral de um ponto de vista sócio-antropologico, político e histórico espera-se dar inteligibilidade a processos sociais e a construções de coletividades, identidades e sujeitos que se posicionam de modo político e subjetivo a partir de experiências de dor e sofrimento. Pretende-se, portanto retirar as emoções da sua zona de conforto – a ordem do privado – e interpelá-la enquanto uma prática discursiva, permeada por relações de poder, que conforma sujeitos, políticas e coletividades. Eixos: possibilidades sociais de expressão da dor e do sofrimento; (des)construindo reputações: rumores, honra e vergonha; a construção de si; marcadores sociais da diferença; políticas de raça, gênero, sexualidade e identidades nacional: sob a ótica do sofrimento, da moral e da compaixão.

1) A moral e as emoções sob o olhar antropológico: tensões, definições, perspectivas
Fassin, Didier. “Beyond good and evil? Questinoning the anthropological discomfort with morals”. Anthropological theory, vol. 8, no 4, pp. 225-246, 2011.

Lutz, Catherine e White, Geoffrey. “The Anthropology of Emotions”. Annual Review of Anthropology, 15. 1986. pp 405-436

Scott, Joan. “A Invisibilidade da Experiência”. In: Proj.História, São Paulo (16), fev. 1998, pp.297-325.


2) A metrópole e o contexto colonial: articulando marcadores sociais da diferença em perspectiva comparada internacional
Michel Foucault. História da Sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1977.

Michel Foucault. “Aula de 17 de março de 1976”. In: Em Defesa da Sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2002. pp. 285-315.

Anne McClintock. Couro Imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Editora Unicamp: Campinas, 2010.

Gail Bederman. Manliness and Civilization: A Cultural History of Gender and Race in the United States 1880-1917 . Chicago Press, Chicago and London.

3) O Processo civilizatório e a construção de si
Norbert Elias. O Processo Civilizador: uma história dos Costumes. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro. 1990.

Norbert Elias. Os Alemães: A luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.

Norberto Elias. A Solidão dos Moribundos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2001.

Exibição do documentário Ghana, sépultures sur mesure, de Philippe Lespinasse (France - 2009 - 52 min). Debate sobre luto, dor e “a expressão obrigatória dos sentimentos”. Leitura: MAUSS, Marcel. “A expressão obrigatória de sentimentos” In Marcel Mauss: antropologia. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1979, p. 147 a 153.

4) Sobre burocracia
Hannah Arendt. “Raça e burocracia”. In: As origens do Totalitarismo: Anti-semitismo, Imperliasmo e Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. pp.215\252.

Mark GRAHAM. “Emotional Bureaucracies: Emotions, Civil Servants, and Immigrants in the Swedish Welfare State”. Ethos, 30 (3), p. 199-226, 2003.

Akhil Gupta. Red Tape: burocracy, structural violence, and Poverty in India. Duke University: London, 2012. pp.141-232 (cap.5 e 6)

5) O direito à diferença: o debate contemporâneo em uma perspectiva comparada internacional
Adam Kuper. O retorno do nativo. Horiz. antropol. [online]. 2002, vol. 8, no. 17, pp. 213-237.

Peter Fry. Culturas da Diferença: seqüelas das políticas coloniais portuguesas e britânicas na África Austral. Revista Afro-Ásia. Números 29/30 (2003):271-316.


6) sobre a razão humanitária
Didier Fassin. “Compassion and repression: The moral economy of immigration policies in France”. Cultural Anthropology, v. 20, n. 3, august, 2005. pp. 362-387.

Laura Moutinho. “Sobre danos, dores e reparações: The Moral Regenaration Movement – controvérsias morais e tensões religiosas na ordem democrática sul-africana”. (Org. Wilson Trajano Filho) Travessias antropológicas: estudos em contextos africanos. Brasília: ABA Publicações, 2012.

7) Cultural Anesthesia?
Hannah Arendt. Eichmannn em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Cia. das Letras, 1999. (Cap. 1\15 – Epílogo)
Allen Feldman. On Cultural Anesthesia: From Desert Storm to Rodney King. American Ethnoligist 21 (2): 404-418.
Wilson Trajano Filho. “Outros rumores de identidade na Guiné-Bissau”. Série Antropologia, 279. Brasilia: DAN-UnB, 2000.

Veena Das. 1998. “Official narratives, rumor, and the social production of hate”. Social Identities, 4 (1):109-130.

Adriana Vianna e Juliana Farias. A guerra das mães: dor e política em situações de violência institucional. Cadernos Pagu (UNICAMP. Impresso), v. 37, p. 79-116, 2011.


8) On how people are made – 1

Ruth Morgan & S. Wieringa. Tommy Boys, Lesbian Men and Ancestral Wives: female same-sex practices in Africa. Jacana Media: Johannesburg, 2005.

Michael Pollak & Marie-Ange Schiltz. “Les homosexuals français face au sida. Modifications des pratiques sexuelles et émergence de nouvelles valeurs”. Anthropologie et Sociétés, 15/2-3 L´Univers du Sida., 1991. pp 53-62

Adriana Romano Athila. "How are people made? Gender, difference and ethnography in an Amazonian indigenous society". In: Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, v. 7, n. 1., Brasília, ABA. January to June 2010.

Lux Vidal "A commentary on Adriana Athila’s article “How are people made? Gender, difference and ethnography in an Amazonian indigenous society". In: Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, ABA, Brasília, v. 7, n. 1. January to June 2010.

7) On how people are made – 2
Erving Goffman. A representação do Eu na vida cotidiana. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1985.
Pedro Lopes & Laura Moutinho. “Uma Nação de Onze Línguas? Diversidade social e Linguística nas novas configurações de poder na África do Sul”. Revista TOMO, Vol. 20\UFS, 2012.
Antonio Sergio Guimarães. Preconceito Racial: modos, temas e tempos. 1. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2008.
Virgínia Leone Bicudo. Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo. (Org. Macos Chor Maio). São Paulo: Editora Sociologia e Política, 2012.
Leo Spitzer. Vidas de Entremeio: assimilação e marginalização na Áustria, no Brasil e na África Ocidental (1780-1945). EdUERJ: Rio de Janeiro, 2001. Capítulos: “Situação de marginalidade, psicologia individual e ideologia” e Não pertenço a lugar algum e por toda parte sou um estranho”: as tribulações de André Rebouças, Cornelius May e Stefan Zweig”.
 
 
 
Avaliação
     
Método
A participação de cada estudante em sala de aula será de fundamental importância para o sucesso do curso. Espera-se que os estudantes leiam os textos do programa e dêem a si mesmos tempo para refletir antes de cada aula. Espera-se que os estudantes tragam os textos para sala de aula e os utilizem para responder ou formular questões.
Critério
Haverá duas provas escritas, individuais e sem consulta (P1 e P2), acompanhadas de uma avaliação contínua do desempenho dos alunos nas atividades propostas em sala de aula (P3). Nesta parte da avaliação (P3) os alunos deverão realizar um conjunto de atividades distribuídas ao longo do curso (como resumos dos filmes, produção de roteiros de leitura dos textos, participação em debates, produção textual em sala de aula e a realização de observações etnográficas em espaços previamente indicados).

A média final será composta da seguinte maneira:
P1 (nota) + P2 (nota) + P3 (nota) =
________________________________
3
Norma de Recuperação
A Recuperação (para quem ficar com média final entre 3,0 e 4,9) constará de uma prova escrita seguida de prova oral com a professora e os monitores, referente a toda a matéria, em data a ser agendada.
Freqüência mínima = 75% do total das aulas.
 
Bibliografia
     
Abu-Lughod, Lila. “Honour and Shame”. Wrinting Women’s Worlds. Bedouin Stories. Berkeley: University of California Press, 1993. pp 205-242
Aguião, Silvia. “Aqui nem todo mundo igual!”: Cor, Mestiçagem e Homossexualidades numa Favela do Rio de Janeiro. [Dissertação de Mestrado em Saúde Coletiva]. Rio de Janeiro: PPGSC/ IMS/ UERJ, 2007.
Arendt, Hannah. A Condição Humana. Rio: Forense Universitária, 1981.
Bhabha, Homi. Cap. III - “A outra questão: o estereótipo, a discriminação e o discurso do colonialismo” e cap. VIII - DisssemiNação: o tempo, a narrativa e as margens da nação moderna”. In: O Local da Cultura. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2005.
Bourdieu, P. “Le sens de l’honneur”. Esquisse d’une theorie de la praticque. Géneve: Librairie Droz, 1972. pp 13-43
Brah, Avtar. “Diferença, diversidade, diferenciação”. In: cadernos pagu (26), janeiro-junho de 2006: pp.329-376.
Bresciani, Stella & Naxara, Márcia. Memória, Ressentimento e Silencio: indagações sobre uma questão sensível. Editora Unicamp, 2004.
Carrara, Sérgio. “Utopias Sexuais Modernas: Uma Experiência Religiosa Americana”, Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, 20 (1):65-92, 1999.
Das,Veena. “Fronteiras, violência e o trabalho do tempo: alguns temas wittgensteinianos”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 14, n. 40, jun. 1999
Das, Veena. Life and Words: Violence and the descent into the ordinary. Berkeley: University of California Press, 2007.
Das, Veena. Violence, Gender and Subjectivity. Annual Review of Anthropology, 37. 2008. pp. 283-99
Elias, Norberto. A Solidão dos Moribundos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2001.
Elias, Norbert. “Terrorismo na República Federal da Alemanha – expressão de um conflito social entre gerações”. Os Alemães: A luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997. pp 209-266
Fassin, Didier. “Compassion and repression: The moral economy of immigration policies in France”. Cultural Anthropology, v. 20, n. 3, august, 2005. pp. 362-387
Feldman, Allen. “Strange Fruit: The South-African Truth Commision and the Demonic Economies of Violence”. In Kapferer, Bruce (ed) Beyond Rationalism: Rethinking magic, witchcraft and sorcery. NY/Oxford: Berghahn Books, 2002. Pp. 234-265
Gilroy, Paul. Cap. 3 Identidade, pertencimento e a critica da similitude pura; e cap. 4. Hitler vestia cáqui: ícones, propaganda e política estética. In: Entre Campos: nações, culturas e o fascínio da raça. São Paulo: Editora Annablume, 2007.
Gluckman, Max “Análise de uma situação social na Zululândia moderna”. In Feldman-Bianco, Bela (org) Antropologia das Sociedades Contemporâneas. São Paulo: Global, 1987. pp 227-344
Hamel, Christelle. “Da racialização do sexismo ao sexismo identitário entre imigrantes na França contemporânea”. Revista Physis v.16 n.1 Rio de Janeiro jan./jul. 2006.
Kleinman, Arthur. What Really Matters: Living a moral life amidst uncertainty and danger. NY: Oxford University Press, 2006
Marques, Ana Cláudia. Intrigas e Questões: vingança de famílias e tramas sociais no interior de Pernambuco. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002
McClintock, Anne. Imperial Leather: race, gender and sexuality in the colonial contest. New York/London: Routledge. (Há Tradução em português do cap.3. Ver Dossiê Erotismo. (org. M. F. Gregori) - Cadernos Pagu (20) 2003.
Menezes, Rachel Aisengart. Em Busca da Boa Morte. Rio de Janeiro: Fiocruz/Garamond, 2008.
Moutinho, Laura et alii. "Retóricas ambivalentes: ressentimentos e negociações em contextos de sociabilidade juvenil na Cidade do Cabo (África do Sul”). Cadernos Pagu, Numero 35, 2010. http://www.scielo.br/pdf/cpa/n35/n35a6.pdf
Moutinho, Laura. Razão, Cor e Desejo: uma Analise Comparativa dos Relacionamentos Afetivos-Sexuais no Brasil e na África do Sul. São Paulo, Editora UNESP, 2004.
Peristiany, J.G. Honra e Vergonha: Valores da sociedade mediterrânea. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, c1965 (capítulos a indicar)
Rezende, Claudia Barcellos. Mágoas de amizade: um ensaio em antropologia das emoções.Mana [online]. 2002, vol.8, n.2, pp. 69-89. ISSN 0104-9313.
Ribeiro, Fernando Rosa, ‘Apartheid’ and ‘Democracia Racial’: South Africa and Brazil in Contrast, tese doutorado, Universidade de Utrecht, 1996.
Ross, Fiona. “Speech and silence: Women’s testimony in the first five weeks of public hearings of the South African Truth and Reconciliation Commission”. In Das, V.
Scheper-Hughes, Nancy. “Violence and the politics of remorse: lessons from South Africa”. In Biehl, João; Good, Byron and Kleinman, Arthur (eds) Subjectivity: Ethnographic investigations. Berkeley: University of California Press, 2007. Pp. 179-234
Sontag, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Cia das Letras, 2003.
Tutu, Desmond. No future Without Forgiveness. New York, Ed. Doubedlay, 1999.
Werneck, Alexandre. A Desculpa: as circunstâncias e a moral das relações sociais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
 

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