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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
 
História
 
Disciplina: FLH0428 - História das Religiões e os Encontros Culturais entre Europa e América
History of Religions and Cultural Encounters Between Europe and America

Créditos Aula: 5
Créditos Trabalho: 1
Carga Horária Total: 105 h ( Práticas como Componentes Curriculares = 20 h )
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2008 Desativação:

Objetivos
Um primeiro objetivo do curso é aquele de oferecer o conhecimento da característica abordagem historiográfica própria da Escola Italiana de História das Religiões e, portanto, de apresentar seus peculiares instrumentos, teóricos e analíticos, de investigação: a esse respeito, tratar-se-á de levar em consideração, sobretudo, os instrumentos críticos elaborados pela História das Religiões, a partir de sua peculiaridade que consiste em historicizar, antes de mais nada, os próprios instrumentos teóricos da análise historiográfica e as categorias analíticas denominadas de “religiosas”.
A partir desse primeiro e fundamental objetivo, tentar-se-á aplicar a importante ferramenta historiográfica crítica, à perspectiva antropológica e histórico-cultural que diz respeito ao tema do curso: nessa direção tratar-se-á, portanto, de detectar os específicos processos culturais - despertados pelas leituras e pelas interpretações das diferenças culturais - surgidos do encontro entre culturas européias e culturas indígenas americanas, na primeira Idade Moderna. Dentro desse percurso, visa-se analisar, finalmente, as conseqüentes problemáticas de reestruturação da cultura européia e da(s) cultura(s) indígena(s) americana(s), na perspectiva de uma característica “hibridização” do pensamento ocidental que, desprendendo-se desse contexto histórico e antropológico, abrirá caminho para o sucessivo surgimento da Antropologia.
 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
371954 - Adone Agnolin
 
Programa Resumido
Acreditamos que a perspectiva de indagação histórico-religiosa mereça, antes de mais nada, uma sua específica atenção para a problemática geral de que trata, isto é, pela peculiar abordagem propriamente histórica em relação à constituição e ao funcionamento das categorias “religiosas” que, enquanto tais, são geralmente propostas como categorias analíticas des-historicizadas (não sujeitas a uma própria análise histórica). Essa base teórica revelar-se-á de fundamental importância para um grande número de disciplinas – História Social, Antropologia, Sociologia etc. – que, muitas vezes, se deparam, em seus específicos contextos, com essas categorias sem, todavia, ter elaborado, antes, ou possuir, depois, os necessários instrumentos de uma sua historicização crítica.
Em segundo lugar, acreditamos que essa perspectiva de estudos, dirigida à análise dos processos surgidos do encontro entre o Ocidente e a alteridade americana no começo da Idade Moderna, seja duplamente preciosa para frisar problemáticas tais como as que se referem a conceitos, antes, e interpretações de fatos históricos, depois, como os de sincretismo, aculturação, transculturação, hibridismo e mestiçagem. Uma historicização dos termos e das práticas revela-se, de fato, urgente e necessária para um indispensável re-pensamento da História Colonial, da História Indígena e, não por ultimo, da nova configuração que uma parte importante da sociedade (confessional) européia da primeira modernidade adquire enquanto “Índias internas” que impõem um novo modelo de “missionação”, de “civilização” e, finalmente, de socialização.
Nessa perspectiva, nos dois lados do Atlântico, a análise teórica das problemáticas envolvidas se constitui no plano de um conceito de ‘religião’, peculiarmente ocidental, que vai se revelando enquanto fundamental e característico instrumento de “hibridização” cultural e que se encontra na base das concretas práticas históricas (modernas) que pretendemos analisar detalhadamente.
 
 
 
Programa
1.Introdução à História das Religiões e suas contribuições para as definições e a historicização das categorias analíticas:
•A História das Religiões: ferramentas teóricas;
•Para uma historicização dos conceitos de ‘religião’, ‘crença’ e ‘fé’;
•‘Aculturação’ e ‘transculturação’ na perspectiva histórico-religiosa.

2.Herança da cultura Renascentista italiana na determinação da (nova) alteridade americana:
•Historicização do (termo) Renascimento e de sua ‘revolução’;
•Analogia, comparação e interpretação entre ‘Antigo’ (dimensão histórica) e ‘Selvagem’ (dimensão antropológica);
•As bases renascentistas de uma ‘invenção da Humanidade’ e o surgimento de uma perspectiva antropológica;
•A ‘construção da alteridade’ na nova perspectiva antropológica.

3.‘Idolatria’ e ‘falta de crenças’ como linguagem interpretativa:
•‘Politeísmo’ e ‘idolatria’: formação histórica das categorias analíticas;
•A alteridade (americana) idolatra e/ou sem crenças: ameaças e possibilidades;
•As categorias analíticas como linguagem interpretativa.

4.Jesuítas e selvagens: o encontro catequético e ritual dos séculos XVI-XVII:
•A nova imagem do ‘Selvagem’ frente ao novo conceito renascentista de ‘Civilização’: da relação entre ‘Antigo’ e ‘Selvagem’ para a relação ‘Moderno’ e ‘Civil’;
•A divindade (e a ‘religião’) renascentista frente à ‘idolatria’ ou ao ‘vazio’ selvagem;
•A ‘conversão’ nas perspectivas jesuítica e indígena.
 
 
 
Avaliação
     
Método
Aulas expositivas e seminários
Leituras semanais de textos/autores e realização de um seminário
Critério
A avaliação dos alunos será feita da seguinte forma:
a) com base na freqüência e interesse pelas aulas.
b) com base na participação em seminários e discussões em classe.
c) com base em seminários feitos pelos alunos.
d) com base em um trabalho de aproveitamento a ser realizado no meio do semestre. e) com base em uma prova final que poderá consistir na resenha de um livro ou num trabalho temático.
Norma de Recuperação
Só serão aceitos para recuperação os alunos que:
a) tiverem freqüência igual ou superior a 75% no curso.
b) tiverem realizado o seminário
c) tiverem entregado os trabalhos solicitados.
d) tiverem feito a prova final.
A recuperação constará de uma prova oral, sobre o assunto do curso (aulas e seminários), a ser realizada em data fixada pelo Departamento.
 
Bibliografia
     
AA.VV.
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Diálogo do Pe. Nóbrega sobre a conversão do gentio (1559). In: Manuel da Nóbrega, Cartas do Brasil, Belo Horizonte/Itatiaia; São Paulo/EDUSP, 1988.
 

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