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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
 
História
 
Disciplina: FLH0442 - História da Cultura II
Cultural History II

Créditos Aula: 5
Créditos Trabalho: 1
Carga Horária Total: 105 h ( Práticas como Componentes Curriculares = 20 h )
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2011

Objetivos
O conceito de ‘cultura’ – a kultur alemã, base da Antropologia científica que se afirma no século XIX – enraíza-se nos resultados obtidos ao longo do ‘Processo Civilizador’ (Norbert Elias) que caracteriza a perspectiva peculiar de toda a Idade Moderna. Esta, todavia, a partir do Humanismo e da ‘Cultura do Renascimento’ (Jacob Burckhardt), pensa em si própria, não em termos culturais (não possui o significante e, portanto, o seu significado), mas em termos de ‘civilização’.
Segundo os objetivos do curso, visamos destacar como o significado desse último termo desprende-se à luz da relação que se estabelece nos e entre os duplos binômios: “antigo/moderno” e “selvagem/civil”. A partir dessa perspectiva, o próprio Re-nascimento se constituirá enquanto fundamento da “civilização moderna” a partir de sua peculiar releitura da civitas antiga: e isso da mesma forma em que a releitura moderna da religio antiga preparará a “confissionalização” dos Estados modernos (o resultado mais significativo da Re-forma) e a releitura da revolutio (a antiga política da estabilidade) preparará o novo conceito de Revolução (‘científica’ antes que propriamente ‘política’).
Ao mesmo tempo em que (na base dessa perspectiva “civilizacional”) a primeira Idade Moderna realiza o cruzamento dos dois percursos (antigo e moderno, selvagem e civil), determina-se uma nova e revolucionária perspectiva antropológica surgida de um outro importante cruzamento – logo interpretado em termos de confronto de civilizações: isto é, o encontro entre culturas européias e culturas indígenas americanas. A esse propósito, vale apontar para o fato de que o próprio processo de centralização dos Estados Nacionais europeus não pode ser compreendido sem levar em consideração, também, a discussão sobre a humanidade americana e seus conseqüentes resultados políticos que repercutirá profundamente no contexto da disputa colonial e sobre o ideário político da Europa ocidental. A América manterá uma função interlocutória fundamental para a elaboração desse novo ideário político, que devia transformar profundamente a história européia e que, ao mesmo tempo, resultará na “europeização” do mundo e na “mundialização” da História. Dentro desse percurso, visa-se analisar, finalmente, as conseqüentes problemáticas de reestruturação da Europa que preparam as bases para que ela possa pensar, finalmente, a própria identidade e as diferenças (alteridades) em termos de Cultura: os resultados do amadurecimento do ‘processo civilizador’ abrirá caminho para o sucessivo surgimento da Antropologia científica e para seu instrumento analítico privilegiado, o conceito de cultura.
 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
371954 - Adone Agnolin
 
Programa Resumido
 
 
 
Programa
1.Programa:

1.A Civitas na cultura Renascentista italiana:
Humanismo moderno e Renascimento antigo;
Historicização do (termo) Renascimento e de sua ‘revolução’;
Analogia, comparação e interpretação entre ‘Antigo’ (dimensão histórica) e ‘Selvagem’ (dimensão antropológica);
As bases renascentistas de uma ‘invenção da Humanidade’ e o surgimento de uma perspectiva antropológica.

2.A Civitas Dei na cultura da Reforma:
As “pré-reformas” católicas;
Peculiaridade do “retorno ao antigo” da Reforma protestante;
A “guerra catequética” entre Reforma e Contra-reforma;
Catequese e Civilização.

3. Civilização e Sociedade na primeira Idade Moderna:
Tradição e subjetividade;
Sociedade e consciência;
Disciplinamento social na Europa Ocidental;
Identidade e Alteridade.

4. Problemáticas ‘Culturalistas’ na Antropologia científica:
A construção civilizacional da Alteridade: ‘Politeísmo’ e ‘idolatria’: formação histórica das categorias analíticas;
A construção cultural da Alteridade: ‘aculturação’ e ‘transculturação’;
As categorias analíticas como linguagem interpretativa.
 
 
 
Avaliação
     
Método
Aulas expositivas e seminários
Critério
A avaliação dos alunos será feita da seguinte forma:
a) com base na freqüência e interesse pelas aulas.
b) com base na participação em seminários e discussões em classe.
c) com base em seminários feitos pelos alunos.
d) com base em um trabalho de aproveitamento a ser realizado no meio do semestre. e) com base em uma prova final que poderá consistir na resenha de um livro ou num trabalho temático.
Norma de Recuperação
Só serão aceitos para recuperação os alunos que:
a) tiverem freqüência igual ou superior a 75% no curso.
b) tiverem realizado o seminário
c) tiverem entregado os trabalhos solicitados.
d) tiverem feito a prova final.
A recuperação constará de uma prova oral, sobre o assunto do curso (aulas e seminários), a ser realizada em data fixada pelo Departamento.
 
Bibliografia
     
AA.VV.
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