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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
 
Sociologia
 
Disciplina: FSL0661 - Sociologias do Cotidiano
Sociologies of Everyday Life

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 0
Carga Horária Total: 60 h
Tipo: Semestral
Ativação: 15/07/2018 Desativação:

Objetivos
Cabe desnaturalizar sociologicamente o cotidiano como modo de vida. Importa, pois, retirá-lo de sua aparente obviedade e insignificância assumindo como ponto de referência de natureza epistemológica, para a sua compreensão, aquilo que Florestan Fernandes certa vez chamou de “teia de interações e relações sociais”, mas que também contém representações e é inerente também ao cotidiano, como fenômeno social que é. Para tanto, vale a pena considerar que, para além das acepções que assume no senso comum e na própria sociologia, cotidiano diz respeito a um modo socialmente específico de se relacionar com o tempo cuja marca é a repetição sequencial de modos de (inter)agir e se relacionar, de sentir e pensar, tanto que sinônimos socialmente recorrentes do adjetivo são “rotineiro”, “costumeiro”, “habitual”. No primeiro momento da disciplina, trata-se de inquirir o que expressões culturais diversas (textos sociológicos pioneiros, a literatura, o cinema, a arquitetura e o urbanismo) trazidas a público na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil em momentos diversos entre meados do do século XIX e do século XX, revelam a respeito de quando e de como o cotidiano emergiu historicamente como problema social, nessas diferentes regiões do mundo. Mas como explaná-lo sociologicamente? Os quatro eixos temáticos subsequentes da disciplina apresentarão aos(às) estudantes de Ciências Sociais as principais vertentes teóricas e metodológicas que, na história da sociologia na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, têm se dedicado a conceituar essa modalidade de vínculo social com o tempo, sendo que, notadamente em relação ao debate em nosso país, o intuito de desnaturalização sociológica terá como apoiar-se ainda no confronto das respectivas conceituações com a realidade empírica local. De fato, virá à tona que a trajetória institucional da sociologia nesses cenários acadêmicos conta com autores que, contemplados retrospectivamente, se particularizam por ter elucidado, por ângulos teóricos simultaneamente diversos e originais, uma, outra ou ambas de duas facetas específicas do cotidiano: sua imediaticidade e sua historicidade. Eis o que permite conceber tais abordagens como sociologias do cotidiano, para além dos rótulos que cada autor atribui a sua própria perspectiva. Familiarizar-se com estas é aprender que o (próprio) cotidiano é socialmente construído ou (também historicamente) produzido – dependendo da perspectiva teórica. E, assim, aprender também o quanto a possibilidade desse reconhecimento deve às sociologias forjadas em torno do fenômeno.
 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
2335946 - Fraya Frehse
 
Programa Resumido
Cabe desnaturalizar sociologicamente o cotidiano como modo de vida. Após demonstrar, à luz de expressões culturais diversas (textos sociológicos pioneiros, literatura, cinema, arquitetura e urbanismo) quando e como esse modo socialmente específico de relacionar-se com o tempo emergiu historicamente como problema social na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, trata-se de rastrear, nas quatro etapas subsequentes da disciplina, a história do pensamento sociológico em busca de autores que, contemplados retrospectivamente, se particularizam nos cenários acadêmicos europeu, norte-americano e brasileiro por ter elucidado, por ângulos teóricos simultaneamente diversos e originais, uma, outra ou ambas de duas facetas específicas do cotidiano: sua imediaticidade e sua historicidade.
 
 
 
Programa
A disciplina estrutura-se em torno de cinco eixos temáticos: 1. Introdução: definindo sociologia e cotidiano I. O cotidiano como um problema social 2. Nos primórdios da sociologia 3. Na literatura e no cinema 4. Na arquitetura e no urbanismo II. Primeiras conceituações: entre a imediaticidade e a historicidade do cotidiano 5. O conhecimento de senso comum de Alfred Schütz 6. A crítica da vida cotidiana de Henri Lefebvre III. Desdobramentos I: sociologias da imediaticidade do cotidiano 7. A construção social da realidade de Peter Berger e Thomas Luckmann 8. O interacionismo simbólico de Herbert Blumer e a etnometodologia de Harold Garfinkel 9. A ordem da interação de Erving Goffman IV. Desdobramentos II: sociologias da historicidade do cotidiano 10. A produção do espaço de Lefebvre 11. José de Souza Martins e a História na história cotidiana 12. O cotidiano como estrangeiro – no Brasil urbano V. Desdobramentos III: quando o imediato e o histórico se encontram 13. A sociologia do conhecimento de senso comum de Martins 14. Os enigmas do cotidiano de José Machado Pais
 
 
 
Avaliação
     
Método
Serão ministradas aulas expositivas subsidiadas por bibliografia específica, além de serem realizados seminários e atividades orais complementares sobre textos de leitura sugeridos aos alunos como bibliografia básica e indicados no Cronograma. Em alguns sábados do semestre previamente agendados ocorrerão aulas de rua em espaços públicos diversos de São Paulo. No intuito de viabilizar praticamente essa atividade, o número de vagas da disciplina terá de ser restrito a 30 (trinta): ou seja, 15 (quinze) por turno.
Critério
Durante o semestre, serão realizados três testes de compreensão dos textos de seminário, além de prova escrita, dos seminários e das atividades orais complementares. A média aritmética das notas dos três testes comporá 20% da média final. A participação na organização de um seminário, por sua vez, corresponderá a uma segunda nota, que constituirá outros 20% da média final. Ao final do semestre, será realizada uma prova escrita sem consulta que comporá 60% da média. A participação nas atividades orais complementares poderá ou não acrescentar pontuação na média final. Não haverá prova substitutiva.
Norma de Recuperação
A recuperação é destinada aos alunos que alcançarem a frequência (70%) e a nota (3,0) mínimas obrigatórias. A nota da recuperação será somada à nota final do período regular e dividida por 2 para a obtenção da média final.
 
Bibliografia
     
Andrade, Mario de. Poesias Completas. São Paulo, Círculo do Livro, 1976. Berger, Peter & Luckmann, Thomas. A Construção Social da Realidade. Trad. F. de S. Fernandes. Petrópolis, vozes, 1983 [orig. ingl. 1969]. Blumer, Herbert. Symbolic Interactionism. New Jersey, Prentice Hall, 1969. Chaplin, Charles. “Modern Times” (Filme). Estados Unidos, 1936. Douglas, Jack D. Understanding Everyday Life. London, Routledge & Kegan Paul, 1971. Durkheim, Émile. A Divisão do Trabalho Social. Trad. E. Brandão. São Paulo, Martins Fontes, 2004 [orig. fr. 1893]. Durkheim, Émile. As Regras do Método Sociológico. Trad. M. I. P. de Queiroz. Rio de Janeiro, Companhia Editora Nacional, 1966 [orig. fr. 1895]. Endreß, Martin. Alfred Schütz. Konstanz, UVK, 2006. Garfinkel, Harold. Studies in Ethnomethodology. Upper Saddle River, Prentice-Hall, 1967. Garfinkel, Harold. “Ethnomethodology’s Program”. Social Psychology Quarterly, 59(1), 1996, pp. 5-21. Goffman, Erving. The Presentation of Self in Everyday Life. New York, Anchor Books, 1959. Goffman, Erving. Asylums. New York, Anchor Books, 1961. Goffman, Erving. Behavior in Public Places. New York/London, The Free Press/Collier-Macmillan Limited, 1963. Goffman, Erving. Interaction Ritual. New York, Anchor Books, 1967. Goffman, Erving. Relations in Public. New York/Evanston/San Francisco/London, Harper & Row, 1971. Goffman, Erving. Frame Analysis. Hanover/London, University Press of New England, 1974. Javeau, Claude. La société au jour le jour. Bruxelles, Ante Post, 2003 [1991]. Joyce, James. Ulisses. Trad. A. Houaiss. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005. Lefebvre, Henri. Critique de la vie quotidienne. 3 vols. Paris, L’Arche Éditeur, 1958 [1947], 1961, 1981. Lefebvre, Henri. La sociologie de Marx. Paris, PUF, 1966. Lefebvre, Henri. La vie quotidienne dans le monde moderne. Paris, PUF, 1968. Lefebvre, Henri. Du rural à l’urbain. Paris, Anthropos, 2001 [1970]. Lefebvre, Henri. La présence et l’absence. Paris, Casterman, 1980. Lefebvre, Henri. La production de l’espace. Paris, Anthropos, 2000 [1974]. Lefebvre, Henri.Éléments de rythmanalyse. Paris, Syllepse, 1992. Lustig, Rodolfo & Kemeny, Adalberto. “São Paulo: Sinfonia da metrópole” (Filme). Brasil, 1929. Kafka, Franz. A Metamorfose. Trd. L. H. Albuquerque. São Paulo, Abril, 2010. Maffesoli, Michel. O Conhecimento Comum. Trad. A. R. Trinta. Porto Alegre, Editora Sulina, 2007 [orig. fr. 1985]. Martins, José de Souza & Foracchi, Marialice M. (orgs.). Sociologia e Sociedade. São Paulo, LTC, 1977. Martins, José de Souza. “Sociologia e esperança” [Dossiê]. Estudos Avançados [online], 26 (75), 2012. Martins, José de Souza. A Sociabilidade do Homem Simples. São Paulo, Contexto, 2008. Martins, José de Souza. Uma Sociologia da Vida Cotidiana. São Paulo, Contexto, 2014. Marx, Karl & Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã. Trad. L. C. de Castro Costa. São Paulo, Martins Fontes, 2002 [orig. al. 1845-1846]. Mills, Charles W. Sobre o Artesanato Intelectual e Outros Ensaios. Trad. M. L. X de A. Borges; Rev. Técn. C. Castro. Rio de Janeiro, Zahar Editor, 2009. Pais, José Machado. Vida Cotidiana: Enigmas e Revelações São Paulo, Cortez Editora, 2001. Schütz, Alfred. Der sinnhafte Aufbau der sozialen Welt. Frankfurt a. M., Suhrkamp, 1981 [1932]. Schütz, Alfred. Fenomenologia e Relações Sociais. Org. Helmut R. Wagner; Trad. A. Melin. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1979 [orig. ingl. 1970]. Schütz, Alfred & Luckmann, Thomas. Strukturen der Lebenswelt. Konstanz, UVK, 2003 [1979]. Simmel, Georg. Aufsätze und Abhandlungen 1901-1908. 2 vols. Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1995 [1983-1908]. Simmel, Georg. Soziologie, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1995b [1908]. Steets, Silke. Der sinnhafte Aufbau der gebauten Welt. Frankfurt a. M., Suhrkamp, 2015. Tati, Jacques. “Mon Oncle” (Filme). França, 1958. Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Trad. A. F. Pierucci. São Paulo, Companhia das Letras, 2004 [orig. al. 1904]. Weber, Max. Economia e Sociedade. Trad. R. Barbosa & K. E. Barbosa, Rev. Técn. G. Cohn. Brasília/São Paulo, Editora UnB/Imprensa Oficial, 2004 [orig. al. 1921].
 

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